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terça-feira, 22 de março de 2016

O que você precisa saber sobre CATARATA


Catarata é a opacificação de uma estrutura que age como uma lente dentro dos olhos, chamada de cristalino. As causas são variadas: idade (senil), após traumatismos oculares, após inflamações intraoculares (uveíte crônica), diabetes, uso de corticoides (medicamento muito usado nas doenças reumáticas), congênita (já existente ao nascer), entre outros.

O diagnóstico da catarata geralmente leva o paciente a uma ansiedade muito grande e algumas perguntas surgem de imediato. Veja algumas e tire suas dúvidas. Nós conversamos com o oftalmologista Giuliano Pires, do CLDO.

O que fazer em caso de diagnóstico de catarata?
Depende da intensidade da catarata e do quanto ela prejudica a visão. 

Óculos não melhoram?
Uma catarata inicial só muda o grau e, nestes casos, a mudança do grau dos óculos é suficiente para melhorar a visão naquele momento.

Como podemos evitar sua progressão?
Importante ressaltar que, uma vez iniciado o processo da opacificação do cristalino, não dispomos de nenhum meio efetivo para atrasar ou evitar sua progressão (embora haja alguns colírios no mercado, não há comprovação científica).

É necessário aguardar a catarata “madurar”?
MADURAR a catarata é uma expressão usada para definir o momento certo para a cirurgia. Há alguns anos, com técnicas cirúrgicas menos seguras, geralmente “madurar” significava cegueira neste olho. Assim, operava-se quando a pessoa não mais enxergava. Atualmente, como o advento da FACOEMULSIFICAÇÃO (Cirurgia Moderna de Catarata), a decisão da cirurgia baseia-se não só na visão diminuída, mas também na ocupação da pessoa, na idade, no quanto a catarata está dificultando as funções habituais.

Qual a diferença entre a moderna cirurgia de catarata e a tradicional?
Designamos FACOEMULSIFICAÇÃO como Moderna Cirurgia de Catarata, por ser uma técnica bastante avançada. Através de um orifício de pouco mais de dois milimetros, um aparelho emite ondas de ultrassom dentro do olho, derrete e aspira a catarata. Através desse orifício, coloca-se um cristalino artificial (lente) dobrado. Isso geralmente dispensa o uso de sutura (ponto), tornando a recuperação visual mais rápida e a cirurgia mais segura.

A cirurgia de catarata tem riscos?
Como todo e qualquer procedimento cirúrgico, ela não está isenta de riscos, porém temos que lembrar que catarata é uma doença e precisa ser tratada.

Uma pessoa com mais de 80 anos pode fazer cirurgia?
O tipo de catarata mais frequente é o relacionado à idade. A anestesia é local e, com uma avaliação clínica prévia, pode-se submeter à cirurgia sem maiores riscos à sua saúde. Se um paciente já tem com a idade vários problemas, imagine também não enxergar, atrapalhando para andar, para se relacionar com as pessoas etc. E a catarata é a maior causa de cegueira evitável do mundo!

É verdade que, nos pacientes diabéticos, a recuperação é pior (não cicatriza)?
A recuperação do paciente diabético controlado é equivalente a do não diabético. É importante que ele esteja bem controlado e que uma avaliação oftalmológica prévia seja bem feita para detectar outras causas de baixa visual no paciente diabético como a retinopatia diabética.

E a cirurgia de catarata a laser?
Recentemente, a cirurgia de catarata a laser entrou no Brasil e veio trazer ainda mais precisão ao procedimento.

A cirurgia e a recuperação da facoemulsificação são dolorosas?
Não, o procedimento dura em torno de 15 minutos, o paciente não costuma sentir dor nem durante, nem no período seguinte à cirurgia. O repouso é relativo, evitando realização de grandes esforços físicos, mas os pacientes podem retornar às suas atividades geralmente num tempo muito inferior ao de antigamente.

Podemos operar a catarata sem implantar a lente intraocular?
Uma preocupação frequente dos pacientes diz respeito à lente intraocular. É importante ressaltar que, ao operar a catarata, extraímos uma lente natural do olho e ela precisa ser reposta, caso contrário, voltaremos 50 anos atrás, quando os pacientes operavam a catarata e ficavam dependentes daqueles óculos com grau enorme (as chamadas lentes “fundo de garrafa”). Nos últimos anos, dispomos de um grande arsenal de tipos de lentes intraoculares. Elas diferem no material, no tamanho, uni ou multifocais. Todas estas diferenças são resultados de pesquisas com o intuito de diminuir a dependência dos óculos, materiais biocompativos. Somente o médico oftalmologista pode indicar a melhor lente para cada caso.

Fonte: Jornal - Diário do Norteste

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Cientistas detectam ondas gravitacionais



"Detectamos as ondas gravitacionais, conseguimos!",
disse entre aplausos David Reitze, físico da Caltech

Em um marco para a física e a astronomia, cientistas de vários países anunciaram ontem ter detectado de forma direta as ondas gravitacionais, ondulações do espaço-tempo que foram previstas por Albert Einstein em 1915.

“Detectamos as ondas gravitacionais, conseguimos!”, disse entre aplausos David Reitze, físico da Caltech (California Institute of Technology) e diretor do laboratório Ligo (Laser Interferometer Gravitational-wave Observatory).

O anúncio foi feito em coletiva de imprensa realizada em Washington.

As ondas foram detectadas em setembro do ano passado, após 50 anos de esforços, graças aos instrumentos do Ligo.

“Esta descoberta é o início de uma nova era; a era da astronomia das ondas gravitacionais já é uma realidade”, disse Gabriela González, porta-voz da equipe Ligo e professora de astrofísica na universidade estatal de Louisiana.

“Graças a esta descoberta, a humanidade embarca na maravilhosa exploração dos lugares mais extremos do Universo, onde se formam objetos e fenômenos pela deformação do espaço-tempo”, disse Kip Thorne, professor de física teórica na Caltech.

“Este passo marca o nascimento de um domínio inteiramente novo da astrofísica, comparável ao momento em que Galileu apontou pela primeira vez seu telescópio ao céu” no século XVII, disse France Cordova, diretora da Fundação Nacional Americana de Ciências (National Science Foundation), que financia o laboratório Ligo.

Dois buracos-negros se chocaram há 1,3 bilhão de anos. O cataclismo lançou estas ondas em todas as direções até que chegaram à Terra no dia 14 de setembro, onde foram captadas por instrumentos instalados nos Estados Unidos.

Esta descoberta foi feita em colaboração com equipes de investigação europeias, especialmente de França, Itália e Alemanha.

As ondas gravitacionais são produzidas por perturbações na trama do espaço-tempo pelos efeitos do deslocamento de um objeto de grande massa. Estas perturbações se deslocam na velocidade da luz em forma de ondas e nada as detêm.

Este fenômeno, previsto por Einstein há um século, costuma ser representado como a deformação que ocorre quando um peso repousa sobre uma rede. Neste caso, a rede representa no tecido do espaço-tempo.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Nasa divulga imagens raras da conquista da Lua


Um arquivo de mais 11 mil imagens das missões Apollo foi disponibilizado na web, e em uma página do Flickr. As imagens históricas de todas as missões tripuladas realizadas entre 1961 e 1972 foram escaneadas e postadas online em um projeto que já dura 15 anos

A equipe da missão Apollo 9 inicia uma caminhada espacial

Kipp Teague é o fundador do Project Apollo Archive e disse à BBC que “grandes cortes de orçamento” levaram a agência espacial americana a admitir que não tinha os recursos para publicar esse acervo. Então, Teague resolveu publicar as fotos online.

O projeto foi criado em 1999 e era, como o próprio Teague escreveu no site, uma “retrospectiva pessoal da era da corrida espacial”. Mas ele começou a ser questionado sobre sua decisão de editar algumas imagens.

Esta é uma imagem da órbita lunar feita durante a missão Apollo 15

Então, desta vez, Teague postou as imagens sem edição, em alta resolução. “Muitas vezes, durante todos estes anos, me perguntaram se eu poderia disponibilizá-las de um jeito mais acessível. Senti que era o momento que mostrar as versões com resolução total, sem edição”, disse Teague à BBC.

Uma imagem mais próxima da superfície da Lua

As imagens finais foram coletadas nos últimos “quatro ou cinco anos” e mostram desde imagens da Terra e da Lua até as fotos mais famosas das caminhadas na Lua.

A galeria de fotos é um projeto que Teague lançou em colaboração com a revista Apollo Lunar Surface Journal , de Eric Jones, que Teague descreve como “a bíblia das missões Apollo”.


Acervo chegará a 13 mil

No momento são pouco mais de 11 mil fotos carregadas no Flickr, mas Teague espera conseguir colocar 13 mil imagens dentro de poucos dias. E, por enquanto, a página já conta com mais de 20 mil seguidores, algo que surpreendeu Teague. “Acho que isto significa que o apetite (pela história espacial) existe no mundo todo.”

Cada foto tirada na Lua pelos astronautas foi feita com antigas câmeras Hasselblad, que ficavam presas no peito do astronauta. Além destas, também foram colocadas no Flickr imagens das jornadas dos astronautas entre a Terra e a órbita lunar.


É possível ver também fotos de eventos nem tão importantes, como os astronautas comendo a ração que podiam levar nas viagens, testando veículos de exploração lunar ou simplesmente sorrindo para a câmera, usando os antigos trajes e equipamentos. (das agências de notícias)

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Japonês e canadense ganham Nobel por descoberta sobre neutrino



O japonês Takaaki Kajita e o canadense Arthur B. McDonald foram anunciados ontem como os vencedores do prêmio Nobel de Física em 2015 por suas “descobertas históricas” sobre o neutrino, uma partícula cósmica fundamental para compreender o universo e sua origem.

Kajita, nascido em 1959, e McDonald, nascido em 1943, refutaram um princípio da física quântica, admitido durante muito tempo, segundo o qual o neutrino não tinha massa: assim, a revelação de ambos representa o triunfo da matéria sobre a antimatéria.

Seus trabalhos conduziram à “conclusão, de considerável alcance, de que os neutrinos, durante muito tempo considerados como carentes de massa, a possuem, apesar de frágil”, destaca o júri, que elogiou a “descoberta histórica”. Isto permite compreender o funcionamento interno da matéria e um melhor conhecimento do universo, explicou o júri da Real Academia Sueca de Ciências.

Contactado pela Fundação Nobel, Takaaki Kajita contou que recebeu a notícia do prêmio de colegas suecos, quando consultava seus emails.

“É uma verdadeira surpresa para mim. É um pouco difícil de acreditar”. disse.

Arthur McDonald afirmou que compartilhava o prêmio “com vários colegas que realizaram um trabalho considerável”. O neutrino, partícula elementar da matéria - que pode ser comparado a uma partícula-fantasma ou a um camaleão - está um bilhão de vezes mais presente no universo que cada um dos integrantes do átomo, mas, apesar disto, é incrivelmente difícil de ser detectado.

O neutrino, que intriga os físicos desde os anos 60, está, de fato, desprovido de carga elétrica, o que permite atravessar todo tipo de obstáculos. Sua existência foi formulada em 1931 pelo austríaco Wolfgang Pauli, prêmio Nobel de 1945, e demonstrada de maneira experimental 25 anos mais tarde pelo americano Frederick Reines, prêmio Nobel 1995.

Em 2002, o Nobel recompensou o americano Raymond Davis Jr e o japonês Masatoshi Koshiba, que revelaram as famosas oscilações do neutrino: ao propagar-se no espaço a uma velocidade próxima à luz, o neutrino tem a curiosa faculdade de metamorfose em três formas ou identidades diferentes.

Mas o neutrino ainda permanecia com seus segredos, pois os cientistas discordavam sobre a massa desta partícula: alguns a consideravam nula e outros muito frágil, inferior à milionésima parte da massa do elétron.Por isto, um dos grandes desafios é “captar” os evasivos neutrinos.


Saiba mais

Enquanto milhares de bilhões de neutrinos atravessam nosso corpo a cada segundo na velocidade da luz sem que sintamos absolutamente nada, Takaaki Kajita e Arthur McDonald conseguiram provar que os neutrinos são verdadeiros camaleões capazes de se transformar e inclusive, às vezes, voltar a seu estado inicial.Emitidos pelas estrelas e a atmosfera, também podem ser criados pela radioatividade beta, como a que é gerada pelas centrais nucleares.Atualmente, três espécies de neutrinos foram identificados. O neutrino do elétron, neutrino do múon, associado a um elétron pesado e o neutrino do tau, associado a um elétron ainda mais pesado.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

"E... assim surgiu a luz"



Painel Universo em Evolução. Concepção de Augusto Damineli e
 ilustração de Paulo R. F. Santiago.
Estamos no Ano Internacional da Luz. A 68ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, ocorrida no dia 20 de dezembro de 2013, proclamou o ano de 2015 como o Ano Internacional da Luz e das tecnologias baseadas em luz. Em quase todos os países do mundo estão sendo realizadas milhares de atividades tais como: exposições, palestras, experimentos, seminários, cursos, congressos, publicações para difusão e vários outros eventos alusivos à luz. A abertura ocorreu em Paris nos dias 19 e 20 de janeiro deste ano e o encerramento será no México entre os dias 4 e 6 de fevereiro de 2016, com solenidade a ser realizada na cidade de Mérida, que fica próxima a um dos mais antigos observatórios astronômicos conhecidos – El Caracol. 


Os anos internacionais são definidos pela Assembleia Geral da ONU que convoca sua vinculada, Unesco, para implementá-los entre os países que concordam em participar. Eles ocorrem desde o ano de 1957, que foi definido como sendo o Ano Internacional da Geofísica. O ano de 2005 foi proclamado como Ano Internacional da Física, em comemoração aos 100 anos em que Albert Einstein publicou seus artigos sobre a Teoria da Relatividade. Em 2009, tivemos o Ano Internacional da Astronomia, onde celebramos os 400 anos que Galileu Galilei apontou pela primeira vez um telescópio para o Céu.

O Ano Internacional da Luz tem como objetivos a celebração de alguns fatos importantes relacionados à luz na história da ciência. São eles: Os 1.000 anos da óptica árabe, com os trabalhos de Ibn Al-Haytham no ano de 1015; Os 200 anos do comportamento ondulatório da luz proposto pelo físico francês Augustin-Jean Fresnel (1788-1827); 150 anos da Teoria Eletromagnética da Luz do físico britânico James Clerk Maxwell (1831-1879); 110 anos da Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein e também os 100 anos dos seus trabalhos sobre o Efeito Fotoelétrico; 50 anos da descoberta da Radiação Cósmica de Fundo feita pelos físicos norte-americanos Arno Allan Penzias e Robert Woodrow Wilson; e ainda os 50 anos dos trabalhos do físico chinês Charles Kuen Kao sobre o uso das fibras ópticas nas comunicações.

Na coluna de hoje, resolvi participar das celebrações do Ano Internacional da Luz escrevendo algo sobre a luz no contexto do Universo. Afinal, o nosso Universo é constituído por estrelas que são a principal fonte de luz. Para tanto, não encontrei algo mais didático do que o impressionante painel Universo em Evolução, desenvolvido pelo astrofísico brasileiro professor doutor Augusto Damineli com ilustração de Paulo R. F. Santiago.

O painel mostra a evolução do Universo desde o Big Bang, passando pela evolução da vida na Terra, até o futuro do nosso Sistema Solar, com a morte do nosso Sol. Mas, como nossa coluna está se referindo à luz, fiz um corte no painel para salientar apenas o surgimento da luz. O painel completo está em exposição permanente no Planetário Rubens de Azevedo, com visitação gratuita, fixado no teto do Espaço Mix do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.

A figura acima ilustra duas fases: a fase dominada por luz e partículas, que durou cerca de 400 mil anos, e a fase da formação dos astros e evolução química, que durou cerca de 5 bilhões de anos.

Na descrição do painel Evolução do Universo, na fase dominada por luz e partículas, Augusto Damineli escreve:

“É possível que existam outros universos. O nosso nasceu há 13,7 bilhões de anos, numa grande explosão, o Big Bang. Uma gotícula de energia pura, infinitamente quente e densa, entrou em expansão e esfriamento. Eras inteiras se sucederam em frações de segundos. As quatro forças se desacoplaram uma após outra e a expansão acelerou-se de forma inflacionária. A matéria e a antimatéria criavam-se e aniquilavam-se mutuamente em forma de luz, restando apenas 1 bilionésimo da matéria que existia. À idade de 3 minutos, 10% do hidrogênio havia se transformado em hélio. O universo era uma espécie de sopa uniforme, luminosa e “intransparente” (como uma lâmpada de gás). A luz não permitia a aglutinação da matéria. Aos 400 mil anos, a temperatura baixou para 3 mil graus e o plasma ficou neutro, em forma de átomos. O céu tornou-se transparente e escuro, como ainda é hoje.”

Na fase da formação dos astros e evolução química, o autor do painel explica:
“Comandadas pela gravidade da ‘matéria escura’, as tênues nuvens de gás condensam-se em ‘rios’ de matéria. Após 200 milhões de anos de escuridão (idade das trevas), formou-se a primeira geração de estrelas que reiluminaram o universo e aglutinaram-se em galáxias. O coração quente das estrelas passou a fundir os átomos menores em maiores. As grandes estrelas formaram o oxigênio, e as médias formaram o carbono e o nitrogênio. Aos 2 bilhões de anos, o universo já estava repleto desses átomos biogênicos. Aos 5 bilhões de anos, a tabela dos elementos químicos estava completa. Átomos começavam a ligar-se formando moléculas, sendo a água uma das mais abundantes e mais antigas. Há 4,56 bilhões de anos, na periferia da galáxia da Via Láctea, uma nuvem de gás e poeira condensou-se, formando uma pequena estrela, o Sol, rodeado por um carrossel de planetas. Entre eles, um (pequeno) planeta rochoso situado na zona de água líquida, a Terra.”

Vou encerrar nossa coluna com um texto do doutor Damineli, que faz parte das descrições do painel Evolução do Universo.

“Num universo em que os próprios astros são transitórios, a humanidade não é mais que um brevíssimo capítulo. Embora microscópica no tempo e no espaço, é ela, entretanto, quem conta esta grande história. Nós contemos o universo que nos contém.”

FONTE: JORNAL O POVO

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Cientistas dizem que o Universo está morrendo


O Universo está morrendo pouco a pouco, segundo uma equipe internacional de cientistas, concluindo que a energia produzida atualmente por 200 mil galáxias é duas vezes menor que há dois bilhões de anos. Os pesquisadores realizaram as medições mais precisas da energia já realizadas até agora numa ampla zona do espaço sideral. A energia emitida se dividiu em dois nos mais recentes dois bilhões de anos e não para de cair, concluíram.

“A partir de agora, o Universo está fadado ao declínio”, explicou na cidade de Crawley, Simon Driver, integrante do Centro Internacional de Pesquisas Radioastronômicas (Icrar) da Austrália, que participou do projeto. “O Universo estirou-se no sofá, cobriu-se com uma manta e se prepara para um sono eterno”, diz.

Os pesquisadores utilizaram sete dos radiotelescópios mais potentes do mundo para observar durante oito anos galáxias em 21 longitudes de onda diferentes, como as infravermelhas ou as ultravioletas, no âmbito do estudo Gama. O estudo é resultado da colaboração de uma centena de cientistas de mais de 30 universidades australianas, europeias e norte-americanas.

Grande parte da energia que circula através do Universo foi gerada depois do Bigue-Bangue, a explosão criadora do Cosmo. Mas, também há liberação constante da energia nova graças à fusão termonuclear das estrelas. “Esta energia nova ou é absorvida pela poeira ou viaja até que se choca em algo como uma estrela, um planeta”, afirmou Driver. Os pesquisadores sabem há tempos que o ritmo de criação de estrelas no Universo está em declínio.

As várias aplicações da energia nuclear




Você já imaginou comer uma fruta esterilizada por irradiação? Parou para pensar nos exames rotineiros do check-up, que também fazem uso de produtos radioativos? Dificilmente você acharia que a energia nuclear pode ser uma aliada no meio ambiente. Os elementos nucleares utilizados na área da indústria, agricultura e medicina são os radioisótopos, ou seja, isótopos (variantes dos elementos químicos), que emitem três tipos de radiação: partículas alfa e beta, e onda eletromagnética gama. Elas podem até atravessar a matéria ou serem absorvidas por ela, o que possibilita múltiplas aplicações.

Dependendo da energia que possuam, as radiações emitidas podem ser detectadas onde estiverem, através de aparelhos apropriados, denominados detectores de radiação. Dessa forma, o deslocamento de um radioisótopo pode ser acompanhado e seu percurso ou “caminho” ser “traçado” em um mapa local, que são os traçadores radioativos. “Ser radioativo não significa necessariamente que você tenha uma reação em cadeia (como acontece nos reatores nucleares). São processos que, em princípio, não estão ligados ao núcleo do átomo”, explica o coordenador do curso de Física da UFC, Carlos Alberto Santos.


Medicina

Na Medicina, a radiação pode ser usada na forma diagnóstica ou de tratamento. As radiografias (Raio X), mamografias e tomografias, por exemplo, utilizam material radioativo no equipamento. “São geradas ondas eletromagnéticas e cada onda tem uma velocidade, que é gerada pelo equipamento para fins específicos. Na tomografia, por exemplo, o paciente deita e a energia elétrica passa e joga raio no paciente. A máquina faz a imagem de como as estruturas do corpo absorvem mais aquela substância”, explica o presidente da Sociedade Cearense de Radiologia, Pablo Picasso. 

Mas há ainda exames onde o material radioativo (chamado de radiofármaco) é ingerido pelo paciente. “Nesse caso, a gente faz a imagem com o que esse material emite de radiação para a máquina”, destaca o especialista em Medicina Nuclear, Régis Nogueira. A diferença é que nesses tipos de exames (os mais comuns são as cintilografias óssea e do miocárdio) são estudadas as funções do corpo, quando na tomografia, por exemplo, o foco é a anatomia do corpo. O radiofármaco é dado por via oral ou venosa ao paciente, se distribui pelo corpo e a imagem é feita. Conforme Régis, a eliminação desse material se dá através da urina ou fezes. A energia gama é usada neste tipo de diagnóstico.

No tratamento de radioterapia, o princípio de utilização do radiofármaco é o mesmo da imagem, mas muda o radioisótopo. “As partículas têm mais poder de ionização. Na radioterapia, procura-se minimizar a radiação, usando-a apenas na área onde precisa atuar”, explica o especialista. Para que os efeitos sejam centralizados, cada paciente passa por um planejamento radioterápico, que evita a emissão de radiação para outros órgãos. O tratamento é possível através de aceleradores lineares, equipamentos que fornecem energia a feixes de partículas e possibilitam a concentração de energia em pequeno volume e em posições controladas da forma que precisa. 

SAIBA MAIS

Meia vida é o tempo que uma fonte radioativa leva para se apagar, que pode variar entre segundos ou bilhões de anos.
Em 1987, dois jovens catadores de materiais recicláveis abriram um aparelho de radioterapia em um prédio público abandonado no centro de Goiânia. A intenção era vender o chumbo e o metal, mas eles ignoraram que dentro do equipamento havia uma cápsula contendo césio-137, um metal radioativo. Em um ferro velho, a cápsula foi aberta e o material azul intenso que surgia contaminou quem ia ver o aparelho. O Cenen monitorou níveis de radioatividade em 112 mil pessoas.
Braquiterapia é um tipo de radioterapia que consiste na colocação de uma fonte de radiação dentro da área que necessita de tratamento.

Um terremoto de 8,9 pontos da escala Richter, em março de 2011, abalou a região de Tohoku, no Japão, e provocou uma tsunami. Os fenômenos danificaram a estrutura da Central Nuclear de Fukushima I, na cidade de Okuma, e provocaram o derretimento de três reatores nucleares. Foi o maior desastre nuclear desde o acidente de Chernobil, em 1986, na Ucrânia, quando uma explosão e um incêndio lançaram grande quantidade de partículas radiativas na atmosfera, provocando a morte de 31 pessoas e outros efeitos, como câncer e deformidades.

O que é feito do lixo nuclear?


“Sociedade sem energia normalmente não é uma sociedade bem desenvolvida”. A afirmação é do doutor em Engenharia Nuclear e professor do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares da Universidade de São Paulo (IPEN/USP), João Manoel Losada Moreira. Conforme ele, a energia nuclear como fonte de energia elétrica começou a ser utilizada de forma mais efetiva na década de 1960. Hoje, um dos seus maiores destaques é a não emissão de CO2 na atmosfera. Mas podem ser incluídas ainda, entre as vantagens, a grande disponibilidade de combustível (elementos radioativos), não depender de fatores climáticos e gerar pequena quantidade de resíduo.

“O volume de resíduos radioativos é pequeno em relação a uma fonte fóssil, como carvão ou gás natural, onde tudo que entra como matéria-prima é emitida para a atmosfera. Na nuclear, como é muita energia por unidade de massa, a quantidade emitida é pequena”, detalha o professor. Conforme ele, existem três tipos de rejeitos radioativos, de baixo, médio e alto níveis. O tempo de duração, que varia entre dezenas e milhares de anos, e o tipo de armazenagem os diferenciam e definirão quantidade e qualidade de barreiras de contatos. Os de alto nível podem durar entre 500 e até milhares de anos, enquanto os de médio têm duração de 300 anos e, os de baixo nível, cerca de 30 anos.

Para armazenar o lixo radiativo, o caminho é separá-lo ao máximo dos humanos. De acordo com João Manoel, o material é desidratado, misturado em uma matriz (cimento, por exemplo) que impeça qualquer reação química. Depois, há uma blindagem e ele é colocado em um tambor de ferro ou aço fundido.

A instalação, na maioria das vezes debaixo da terra, é uma das últimas barreiras. “Os de alto nível são colocados geralmente em uma área de montanha, que não tenha corpos aquáticos, com algumas galerias de rocha. Precisa monitorar, ver se não tem nenhum tipo de deterioração ou algum tipo de reação”. Resíduo, matriz, tambor, instalação, caverna, geosfera, biosfera, ser humano. Essa é a sequência de barreiras que, a depender do nível de resíduo, devem separar o lixo do contato com pessoas.

Reciclagem

O Brasil ainda não realiza, mas França, Japão e China já reciclam os rejeitos das usinas. “O combustível opera por um ano ou um ano e meio. A reciclagem poderia aproveitar 97,6% do material e armazenar apenas 2,4% (se for de nível médio)”, acrescenta. O fato de as usinas brasileiras ainda não reciclarem, diz ele, deve-se a uma “falta de decisão”. “Só temos dois reatores, então talvez, por enquanto, seja mais fácil guardar”. 

De acordo com João, os Estados Unidos não reciclam, com a intenção de guardar o material e usá-lo para fins bélicos. “Toda a questão de salvaguarda internacional são sobre estas matérias”, avalia. Os franceses possuem 58 reatores, os americanos têm cerca de 100 e estão construindo mais cinco. “Cerca de 70 reatores estão sendo construídos atualmente no mundo”.

“O volume de resíduos radioativos é pequeno em relação a uma fonte fóssil, como carvão ou gás natural, onde tudo que entra como matéria-prima é emitida para a atmosfera. Na nuclear, como é muita energia por unidade de massa, a quantidade emitida é pequena”

FONTE: JORNAL O POVO

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Sonda espacial alcança maior aproximação do planeta Plutão

Primeira nave terrestre a se aproximar do mais longínquo planeta do Sistema Solar, a sonda automática norte-americana New Horizons, lançada pela agência espacial Nasa em 2006, passou ontem à sua menor distância de Plutão, em uma viagem histórica, que permitirá obter mais informações sobre o corpo celeste. Rebaixado a anão há nove anos pela União Astronômica Internacional (UAI), Plutão foi reabilitado como planeta convencional em 2014.

Funcionários da Nasa comemoraram o feito da sonda New Horizons,
 que após viagem de 4,8 bilhões de km, passou a 12,4 mil km de Plutão

“A sonda New Horizons conseguiu a maior aproximação de Plutão após uma jornada de três bilhões de milhas”, afirmou o comentarista da Nasa no Centro de Física Aplicada Johns Hopkins, no subúrbio de Washington. A uma velocidade de mais de 49.300 quilômetros por hora, depois de uma viagem de 4,8 bilhões de quilômetros, a New Horizons passou a apenas 12.430 km de Plutão, às 8h49min de Brasília.

“Nós completamos o reconhecimento inicial do sistema solar, uma empreitada começada no governo do presidente (John F.) Kennedy (1961-1963) mais de 50 anos atrás e continuada hoje sob a liderança do presidente (Barack) Obama, lembrou o principal pesquisador da New Horizons, Alan Stern.

A sonda já tem enviado imagens e impressões ao
longo de sua aproximação, há varias semanas

Obama comemorou o sucesso da missão no Twitter. “Parabéns a @NASANewHorizons por ter realizado uma viagem de três bilhões de milhas”, escreveu o presidente norte-americano no Twitter.

Desde a Voyager 2, que sobrevoou Netuno em 1989, nenhum planeta distante havia sido aproximado de tão perto. Ontem também completou meio século do primeiro voo rasante sobre Marte, em 14 de julho de 1965, pela sonda Mariner 4.

A sonda dispõe de sete instrumentos de medição de alta performance. A nave está projetada para escanear a superfície de Plutão, analisar a composição de sua atmosfera, sua formação, recolher a temperatura de sua superfície e fotografar.

O que se sabe até agora sobre Plutão provavelmente caberia em um par de páginas. Mas com os dados que serão enviados pela New Horizons, se tudo correr bem, será possível escrever textos inteiros sobre este misterioso corpo celeste. A missão pioneira da Nasa conseguiu confirmar a existência de uma camada de gelo polar em Plutão e descobriu nitrogênio escapando de sua atmosfera. 

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Missão para encontrar vida inteligente vacila


Há quase 20 anos, a revista "Bioastronomy News" organizou e publicou um debate entre dois luminares da esfera científica a respeito da probabilidade de êxito do programa Busca por Inteligência Extraterrestre (Seti, na sigla em inglês). Carl Sagan deu sua resposta padrão: com bilhões de estrelas em nossa galáxia, deve haver outras civilizações capazes de transmitir ondas eletromagnéticas. Ao examinar o céu com radiotelescópios, poderíamos interceptar algum sinal.

Oponente de Sagan, o biólogo evolutivo Ernst Mayr apresentou seus próprios números astronômicos: entre os bilhões de espécies que viveram e morreram desde que a vida teve início, apenas uma -a Homo sapiens- desenvolveu uma ciência, uma tecnologia e curiosidade para investigar as estrelas. E isso demandou cerca de 3,5 bilhões de anos de evolução. A inteligência complexa, concluiu Mayr, é extremamente rara aqui e em qualquer outro lugar. A forma de vida mais abundante na Terra é o limo unicelular.

Desde o debate, mais de 1.700 planetas foram descobertos além do sistema solar -700 deles apenas neste ano. Astrônomos calculam que uma entre cada cinco estrelas semelhantes ao Sol na Via Láctea pode ser orbitada por um mundo capaz de sustentar algum tipo de vida.

Isso equivale a cerca de 40 bilhões de hábitats potenciais. Porém, Mayr, que morreu em 2005, provavelmente não ficaria impressionado. Pelos seus cálculos, as chances ainda seriam muito baixas de haver algo além de mundos viscosos. Por ora, não surgiu evidência que derrube sua teoria.

Alguns cientistas dizem que o problema é que não estamos procurando com o devido afinco. Desde sua criação, no início dos anos 1960, o programa Seti tem lutado para obter as verbas necessárias para monitorar inclusive pequenos quadrantes do céu. Em um ensaio on-line em meados de agosto, Seth Shostak, o astrônomo-chefe do Instituto Seti, lamentou a escassez de recursos financeiros para a busca -apenas uma fração do orçamento da Nasa.

Já se passaram mais de 3,5 bilhões de anos desde que as primeiras células simples surgiram, e foram precisos outros bilhões de anos para que algumas delas evoluíssem e se unissem simbioticamente em organismos multicelulares primitivos. Por meio de mutações, essas colmeias bioquímicas acabaram gerando seres aptos a se recordar, prever e -ao menos no caso dos humanos- a se perguntar o que tudo significa.

Cada passo foi aleatório, como a combinação arbitrária de números que ganha uma loteria. Em "Wonderful Life", Stephen Jay Gould especula que se um ser coleante chamado Pikaia gracilens não tivesse sobrevivido à extinção cambriana, cerca de 500 mil anos atrás, todo o filo dos cordados, que inclui os vertebrados como nós, poderia jamais ter existido.

"Escapamos por muito pouco milhares e milhares de vezes de não existir caso, a história houvesse dado uma guinada para outro canal sensível", escreveu Gould. Outros biólogos discordam da conclusão de Gould. No decorrer da evolução, os olhos e a multicelularidade já surgiram independentemente. Então, por que isso não se aplicaria a vértebras, medulas e cérebros? Quanto maior o arsenal de recursos que um organismo tem à sua disposição, maior será sua chance de sobrevivência.

Conforme os argumentos de Daniel Dennett em "Darwin's Dangerous Idea", a maioria dos organismos parece ter "chegado a uma solução relativamente simples para os problemas no início da vida, agarrou-se a ela um bilhão de anos atrás e desde então não teve muito controle sobre o que ocorreu". Nossa apreciação da complexidade, escreveu ele, "pode ser ditada apenas por uma preferência estética."

Em "Five Billion Years of Solitude" [Cinco bilhões de anos de solidão], de Lee Billings, publicado no ano passado, Frank Drake, um dos pioneiros do Seti, afirmou: "Neste exato momento, mensagens vindas das estrelas podem estar entrando nesta sala e passando por você e eu. E se tivéssemos o receptor certo acoplado adequadamente, nós conseguiríamos detectá-las."

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Da Vinci - A exibição


“Da Vinci – A Exibição” traz a tona a inquestionável imaginação de Leonardo da Vinci em suas mais variadas facetas: inventor, artista, cientista, anatomista, engenheiro, arquiteto, escultor e filósofo.


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Estaremos realizando uma aula de campo para os alunos do 6º ano EF. O projeto tem como roteiro uma visita à exposição Da Vinci - A exibição (As invenções do gênio que revolucionou o rumo da História) e pretende desenvolver in loco um trabalho de pesquisa e observação envolvendo a área de artes.

Esta é uma das oportunidades que a Escola proporciona aos alunos com o objetivo de diversificar e enriquecer as aulas da referida área.

Mais informações no informativo em anexo.

Contamos com o apoio dos senhores.

Data: 06 de junho

Local: RioMar Fortaleza

Saída: 09h (CNSG)

Retorno: 12h (CNSG)


quarta-feira, 4 de março de 2015

VOCÊ TEM QUE SABER...

1. ASTRONOMIA
BURACO NEGRO INTRIGA CIENTISTAS



Astrônomos anunciaram, nesta semana, a descoberta de um “descomunal” buraco negro, muito antigo, que desafia as teorias atuais sobre como estes objetos astronômicos se desenvolveram nos primórdios do universo. Um buraco negro é um objeto astronômico invisível, com gravidade tão forte que nenhuma partícula, nem mesmo a luz, consegue escapar de sua força de atração. A massa deste buraco negro, situado no centro de um quasar (objeto ultraluminoso), é 12 bilhões de vezes maior que a do sol, segundo astrônomos na revista britânica Nature. Formou-se há 900 milhões de anos, depois do Big Bang, que deu origem ao universo há 13,7 bilhões de anos. “A formação de um buraco negro é tão grande, tão rápido, é difícil de interpretar com as teorias atuais”, disse em comunicado um dos autores do estudo, o pesquisador da Universidade Nacional da Austrália, Fuyan Bian. (AFP)

2. SUSTENTABILIDADE
TORRE EIFFEL GANHA GERADORES


A empresa Sete, encarregada da exploração da Torre Eiffel, instalou dois aerogeradores no simbólico monumento parisiense, que ilustram compromisso em prol de um desenvolvimento sustentável. Os aerogeradores, de sete metros de altura por três de largura, foram instalados no segundo piso, a 127 metros do chão, e têm uma capacidade de produção de 10.000 kwh anuais, isto é, o consumo energético da loja do primeiro andar. Embora seja uma medida "bastante simbólica", ilustra "o compromisso da Torre no campo do desenvolvimento sustentável", afirmou a companhia. Em 2014, a torre recebeu mais de sete milhões de visitantes. O consumo elétrico anual (6,7 GWh) do monumento equivale ao de uma cidade com 3.000 habitantes.

3. PESQUISA
HORMÔNIO DO AMOR PARA CURAR EMBRIAGUEZ?

Mãos formam um coração

O hormônio do amor, a oxitocina, pode ter um efeito inesperado: quando o aplicaram em ratos de laboratório em estado de embriaguez, os cientistas perceberam que a substância ajudou os roedores a agir como se estivessem sóbrios. Quando os autores desta experiência, cujos resultados foram divulgados nesta semana, injetaram oxitocina no cérebro de roedores embriagados, os animais não demonstraram a falta de coordenação normalmente provocada pela ingestão excessiva de álcool. “Os ratos que ingeriram álcool e, em seguida, oxitocina, passaram sem problemas no teste de sobriedade equivalente para ratos, enquanto os outros em estado de embriaguez, mas que não tomaram o hormônio, ficaram totalmente embriagados”, explicou Michael Bowen, pesquisador do departamento de Psicologia da Universidade de Sidney. Pesquisadores querem agora testar este efeito surpreendente do hormônio do amor em seres humanos. (AFP)



Quando os computadores começarão a pensar?

O matemático Alan Turing é interpretado pelo ator Benedict Cumberbatch no filme O Jogo da Imitação
O matemático Alan Turing é interpretado pelo ator
 Benedict Cumberbatch no filme O Jogo da Imitação

Vários filmes em cartaz nos cinemas contam histórias de cientistas famosos. Um deles, é o matemático inglês Alan Turing, ateu, homossexual e visionário da computação, que é personagem de O Jogo da Imitação, onde a ênfase é dada ao seu trabalho bem-sucedido de decifrar códigos secretos dos nazistas na Segunda Guerra Mundial. O filme ganhou o Oscar de Melhor Roteiro, mas, não vou falar sobre ele. Vou tratar um pouco das ideias mais impactantes de Turing sobre a possibilidade de se construir uma máquina inteligente, com capacidades intelectuais consideradas exclusivas dos humanos.

Em resumo, Turing queria saber se poderia existir uma máquina capaz de coisas como raciocinar, jogar xadrez, demonstrar teoremas matemáticos ou escrever poemas de boa qualidade. Após muita elucubração, ele concebeu a chamada “máquina universal” e demonstrou que ela poderia desempenhar todas essas proezas, além de ser capaz de se autor reproduzir usando apenas um código interno, mais ou menos como o DNA faz com a gente. É claro que essa “máquina universal de Turing” não existia naquela época, a não ser na cabeça do próprio Turing. E, não existe até hoje, mas o que importa mesmo é explorar teoricamente se ela é permitida pelas leis naturais. Em sua essência, a máquina concebida por Turing é bastante simples e serviu de ponto de partida para a concepção dos computadores atuais. Como estes, seria apenas um sistema físico que passa continuamente de um estado para outro, seguindo regras básicas contidas em um código binário. Os únicos obstáculos para se construir essa máquina seriam técnicos e financeiros. Depois da guerra, Turing chegou a tentar financiamento para construir um protótipo da máquina, mas, como mostra o filme, o moralismo repugnante das autoridades inglesas preferiu obrigá-lo a um tratamento hormonal que o levou, finalmente, ao suicídio.

Tendo demonstrado que uma máquina seria capaz de várias capacidades semelhantes às dos humanos, Turing passou a examinar que tipo de limitações ela poderia ter. Concluiu que sua máquina estaria restrita aos vínculos impostos pelo alemão Kurt Gödel, que demonstrara a impossibilidade de qualquer sistema lógico ser completo. Em outras palavras, segundo Gödel, qualquer sistema matemático teria proposições verdadeiras que não poderiam ser demonstradas dentro do próprio sistema. Turing verificou que essa restrição também valia para sua máquina, o que equivalia a dizer que a matemática nunca poderá ser completamente mecanizada.

Acontece, como notou o inglês, que essas restrições também valem para as máquinas que temos dentro de nossos crânios. Pessoas, assim como as máquinas, nunca serão totalmente capazes de prever e modificar seus comportamentos. Aparentemente, o famoso “livre-arbítrio” tem limitações. É claro que essas limitações não nos impedem, nem às máquinas, de fazer raciocínios complexos e de tomar decisões sobre o que devemos fazer.

Os computadores modernos ainda não apresentam todas as potencialidades teóricas de uma máquina universal de Turing, mas, parecem estar cada vez mais próximos disso. O cientista americano Ray Kurzweil, engenheiro do Google, chamou de “singularidade” o dia em que ficar evidente que as máquinas começarão a pensar. E escreveu um livro intitulado A singularidade está próxima. Vamos ver.

O Jogo da Imitação

Afinal, haverá algum dia uma máquina capaz de pensar? Alan Turing não gostava desse tipo de pergunta por ter uma carga emotiva muito forte e depender da definição do que é pensar. Em 1950, ele escreveu um artigo onde propôs uma forma mais segura de decidir a questão, envolvendo um teste que ele chamou de “Jogo da Imitação”, hoje mais conhecido como “Teste de Turing”. Vejamos uma versão moderna do Teste de Turing.

O arranjo do teste coloca de um lado um humano e um computador, separados por uma parede de outro humano, o interrogador. A única forma de comunicação entre os três é por mensagem de texto digitado. O objetivo do jogo é levar o interrogador a descobrir, fazendo perguntas e recebendo respostas, quem é quem do outro lado da parede. O computador é programado para levar o interrogador a pensar que está conversando com um humano. Portanto, não adianta o interrogador perguntar quem é humano, pois ambos responderão a mesma coisa.

O teste acaba quando o interrogador achar que sabe quem é humano. Se, depois de vários desses testes, o computador tiver sido confundido como sendo humano por um número igual ou maior de vezes que o contrário, conclui-se que esse computador é capaz de agir como um humano. Isso não quer dizer, explicitamente, que o computador é capaz de pensar. Significa apenas que ele é capaz de convencer que pensa.

Os proponentes da chamada versão forte da Inteligência Artificial consideram que um computador que consiga passar consistentemente pelo Teste de Turing é realmente capaz de pensar. Muita gente não concorda. O filósofo John Searle, por exemplo, sustenta que apenas organismos biológicos com cérebros semelhantes aos nossos seriam capazes de pensar de forma consciente. Para justificar esse ponto de vista, ele também imaginou um teste chamado de “Sala Chinesa”. Esse é o tipo de debate que costuma ficar acalorado entre os entusiastas da Inteligência Artificial e os céticos. Mas, não tenho espaço aqui para me estender sobre isso. Fica para outra ocasião, se alguém tiver interesse em voltar a esse assunto.

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