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quinta-feira, 16 de agosto de 2018
segunda-feira, 6 de novembro de 2017
Satélite vai monitorar o meio ambiente do Ceará
Alta tecnologia na palma de uma mão. Assim pode ser descrito o primeiro satélite cearense, previsto para ser lançado ao espaço entre os anos de 2019 e 2020. Em desenvolvimento pelo Laboratório de Engenharia de Sistemas de Computação (LESC), da Universidade Federal do Ceará (UFC) desde de 2015, o Satélite para Análise e Coleta de Dados Experimentais (Sacode) será o primeiro de uma rede nacional para monitoramento ambiental do Estado, tendo como objetivo enviar dados sobre o Semiárido brasileiro para a Terra.
O equipamento pesa até dois quilos e é classificado como nanosatélite ou CubSate, por possuir dimensões multiplas de 10 cm x 10 cm x 10 cm, o equivalente a uma unidade (1U). De acordo com o coordenador adjunto do projeto, professor Jarbas Silveira, esse tamanho padrão para satélites do tipo permite um lançamento mais rápido e custos menores. "Assim podemos focar nos experimentos. Hoje, existe uma tendência de lançar satélites menores e a ideia é que se lancem mais satélites CubSate, como uma constelação, pois eles têm característica de existir como múltiplas unidades", diz.
Altitude
Quando lançado, segundo explica, o Sacode pode se localizar em uma órbita de 400 km a 1 mil km de altitude, com missão que deve durar dois anos. Nesse período, a estimativa é que o equipamento mande dados, com comunicação de seis a sete vezes ao dia, que servirão para monitorar as estações de plataforma do Semiárido nordestino, as condições do solo, umidade, temperatura, além de permitir o estudo da Ionosfera, que é a camada da atmosfera caracterizada por conter cargas de íons e elétrons.
"Nesse estudo da Ionosfera pretende-se verificar os efeitos da radiação, como a recuperação de falhas por incidência de partículas radioativas e o envelhecimento de recursos integrados por absorção de radiação acumulada", detalha.
Computador
Quando pronto, o Sacode atuará por meio de um computador de bordo específico para nano satélite, já construído por um aluno de Mestrado da UFC e, atualmente, na fase final de testes no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Segundo o professor Jarbas Silveira, a equipe busca financiamentos para custear o restante do projeto, orçado em R$ 2 milhões, sendo R$ 650 mil destinados apenas para o lançamento. "Se for para contratarmos uma base de lançamento provavelmente será em alguma unidade fora do Brasil, mas é possível entrarmos em uma parceria para lançar da Base de Lançamento de Alcântara, no Maranhão".
Sob a coordenação do professor João César Mota, o Sacode é um dos projetos em desenvolvimento no LESC, que faz parte do Departamento de Engenharia de Teleinformática (DETI) da UFC, em parceria com o Inpe, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), a Universidade Federal do Pampa (Unipampa) e a Agência Espacial Brasileira (AEB). A equipe do projeto ainda é composta por cinco alunos da graduação, dois mestrandos e um doutorando.
Necessidade
De acordo com o Inpe, o uso de satélites com objetivo no monitoramento de dados do meio ambiente é uma necessidade que vem sendo suprida pelo Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais (SBCDA) desde o ano de 1993.
O sistema vem sendo usado para monitorar bacias hidrográficas, como meio de previsão meteorológica e climática, para análise dos níveis de poluição e no prognóstico e mitigação de desastres naturais.
Fonte: Jornal Diário do Dordeste
quarta-feira, 25 de maio de 2016
terça-feira, 22 de março de 2016
O que você precisa saber sobre CATARATA
Catarata é a opacificação de uma estrutura que age como uma lente dentro dos olhos, chamada de cristalino. As causas são variadas: idade (senil), após traumatismos oculares, após inflamações intraoculares (uveíte crônica), diabetes, uso de corticoides (medicamento muito usado nas doenças reumáticas), congênita (já existente ao nascer), entre outros.
O diagnóstico da catarata geralmente leva o paciente a uma ansiedade muito grande e algumas perguntas surgem de imediato. Veja algumas e tire suas dúvidas. Nós conversamos com o oftalmologista Giuliano Pires, do CLDO.
O que fazer em caso de diagnóstico de catarata?
Depende da intensidade da catarata e do quanto ela prejudica a visão.
Óculos não melhoram?
Uma catarata inicial só muda o grau e, nestes casos, a mudança do grau dos óculos é suficiente para melhorar a visão naquele momento.
Como podemos evitar sua progressão?
Importante ressaltar que, uma vez iniciado o processo da opacificação do cristalino, não dispomos de nenhum meio efetivo para atrasar ou evitar sua progressão (embora haja alguns colírios no mercado, não há comprovação científica).
É necessário aguardar a catarata “madurar”?
MADURAR a catarata é uma expressão usada para definir o momento certo para a cirurgia. Há alguns anos, com técnicas cirúrgicas menos seguras, geralmente “madurar” significava cegueira neste olho. Assim, operava-se quando a pessoa não mais enxergava. Atualmente, como o advento da FACOEMULSIFICAÇÃO (Cirurgia Moderna de Catarata), a decisão da cirurgia baseia-se não só na visão diminuída, mas também na ocupação da pessoa, na idade, no quanto a catarata está dificultando as funções habituais.
Qual a diferença entre a moderna cirurgia de catarata e a tradicional?
Designamos FACOEMULSIFICAÇÃO como Moderna Cirurgia de Catarata, por ser uma técnica bastante avançada. Através de um orifício de pouco mais de dois milimetros, um aparelho emite ondas de ultrassom dentro do olho, derrete e aspira a catarata. Através desse orifício, coloca-se um cristalino artificial (lente) dobrado. Isso geralmente dispensa o uso de sutura (ponto), tornando a recuperação visual mais rápida e a cirurgia mais segura.
A cirurgia de catarata tem riscos?
Como todo e qualquer procedimento cirúrgico, ela não está isenta de riscos, porém temos que lembrar que catarata é uma doença e precisa ser tratada.
Uma pessoa com mais de 80 anos pode fazer cirurgia?
O tipo de catarata mais frequente é o relacionado à idade. A anestesia é local e, com uma avaliação clínica prévia, pode-se submeter à cirurgia sem maiores riscos à sua saúde. Se um paciente já tem com a idade vários problemas, imagine também não enxergar, atrapalhando para andar, para se relacionar com as pessoas etc. E a catarata é a maior causa de cegueira evitável do mundo!
É verdade que, nos pacientes diabéticos, a recuperação é pior (não cicatriza)?
A recuperação do paciente diabético controlado é equivalente a do não diabético. É importante que ele esteja bem controlado e que uma avaliação oftalmológica prévia seja bem feita para detectar outras causas de baixa visual no paciente diabético como a retinopatia diabética.
E a cirurgia de catarata a laser?
Recentemente, a cirurgia de catarata a laser entrou no Brasil e veio trazer ainda mais precisão ao procedimento.
A cirurgia e a recuperação da facoemulsificação são dolorosas?
Não, o procedimento dura em torno de 15 minutos, o paciente não costuma sentir dor nem durante, nem no período seguinte à cirurgia. O repouso é relativo, evitando realização de grandes esforços físicos, mas os pacientes podem retornar às suas atividades geralmente num tempo muito inferior ao de antigamente.
Podemos operar a catarata sem implantar a lente intraocular?
Uma preocupação frequente dos pacientes diz respeito à lente intraocular. É importante ressaltar que, ao operar a catarata, extraímos uma lente natural do olho e ela precisa ser reposta, caso contrário, voltaremos 50 anos atrás, quando os pacientes operavam a catarata e ficavam dependentes daqueles óculos com grau enorme (as chamadas lentes “fundo de garrafa”). Nos últimos anos, dispomos de um grande arsenal de tipos de lentes intraoculares. Elas diferem no material, no tamanho, uni ou multifocais. Todas estas diferenças são resultados de pesquisas com o intuito de diminuir a dependência dos óculos, materiais biocompativos. Somente o médico oftalmologista pode indicar a melhor lente para cada caso.
Fonte: Jornal - Diário do Norteste
Fonte: Jornal - Diário do Norteste
sexta-feira, 18 de março de 2016
Cápsula endoscópica: avanço no diagnóstico das doenças intestinais
No mundo das doenças do aparelho digestivo, o homem sempre buscou a visualização do trato digestivo por inteiro, desde o lúmen até sua porção externa. Começou-se, então, um profícuo desenvolvimento de instrumentais para a introdução no aparelho digestivo humano e a observação e descoberta de novas doenças. Nesse contexto, surgiram os atuais aparelhos flexíveis de endoscopia e colonoscopia capazes de adentrar o mundo fantástico do esôfago, estômago, duodeno e cólon.
PONTO DE PARTIDA
A partir de 1981, principalmente os japoneses deram um impulso extremo no desenvolvimento de CCDs acoplados a tubos flexíveis que transmitem imagens à tela de um monitor e, com isso, diagnosticam inúmeras desordens gastrointestinais. O mundo da medicina, porém, ainda estava insatisfeito: uma grande porção do trato digestivo, chamado intestino delgado, estava ainda por ser desbravado. Cientistas israelenses bravamente, a partir de 1990, criam um protótipo capaz de gerar imagens através de uma microcâmera e por telemedicina a distância, baseado na tecnologia militar de mísseis teleguiados.
WIRELESS
De acordo com o gastroenterologista Alessandrino Terceiro, Mestre em Cirurgia pela UFC, com a tecnologia wireless, esses protótipos transformaram-se em cápsulas capazes de ser digeridas e suas imagens transmitidas a um gravador fixado ao corpo do paciente. Esse gravador, por sua vez, é colocado numaworkstation", em que imagens são repassadas e interpretadas. Estava desbravado cerca de seis a oito metros do trato digestivo humano: o intestino delgado, explica.
CÁPSULA ENDOSCÓPICA
Trata-se de uma pequena cápsula medindo cerca de 2,5cm, que contém uma câmara capaz de tirar duas fotos por segundo da maior porção do trato digestivo: o intestino delgado. As imagens são transmitidas a um gravador fixado na cintura do paciente. Esse exame é hoje o padrão ouro para doença do intestino delgado, principalmente porque não há exames mais detalhados e menos invasivos para essa porção do trato digestivo, afirma o médico do Serviço de Endoscopia do Hospital Universitário Walter Cantídio, Hospital Geral de Fortaleza e Monte Klinikum.
O EXAME
A duração média é de cerca de oito horas, sendo possível a captura de cerca de 60 mil fotos. O exame é capaz de detectar mínimas alterações no trato digestivo, não detectadas por outros métodos, como a endoscopia digestiva alta (EDA), a colonoscopia e o trânsito intestinal.
INDICAÇÕES
As principais indicações do exame são em pacientes com anemia de causa obscura, ou seja, não diagnosticada por exames convencionais de endoscopia digestiva alta e colonoscopia. De acordo com o médico, as outras indicações consistem na pesquisa de doença inflamatória intestinal, pesquisa de pólipos ou tumores do intestino delgado, nos casos suspeitos de doença celíaca e nos casos de dor abdominal de origem indeterminada.
Hoje há uma nova perspectiva na pan-endoscopia, ou seja, na análise de todo o trato digestivo a partir da cápsula, podendo-se, dessa forma, propiciar a detecção precoce de lesões em todo o trato digestivo com menor morbidade e mortalidade, diz.
PASSO A PASSO
Normalmente, o exame inicia-se quando o paciente ingere a cápsula endoscópica com um pouco de água. A partir daí, a cápsula segue um percurso longo por todo o trato gastrointestinal até sair espontaneamente nas fezes. Outra alternativa, já padronizada em muitos serviços e que particularmente somos favoráveis, é a de se colocar a cápsula diretamente no intestino delgado através de material apropriado e por endoscopia digestiva alta. Esse método, além de economizar o precioso tempo de duração da bateria, impede que tenhamos exames inconclusivos como aqueles em que a cápsula não transpõe a transição entre o estômago e o duodeno: o piloro. Desse modo, a cápsula estará pronta para a aquisição de imagens do intestino delgado, pontua.
ONDE ENCONTRAR ESTA TECNOLOGIA
Alessandrino afirma que, em Fortaleza, o Hospital Monte Klinikum é um dos poucos centros hospitalares do Norte-Nordeste a dispor dessa tecnologia de ponta. Convém ressaltar que, além da estrutura do Centro Endoscópico para a realização deste exame, dispomos de toda a tecnologia necessária para a colocação da cápsula diretamente no intestino delgado. Esse fato praticamente impede que o exame do paciente seja inconclusivo pela não passagem da cápsula ao intestino delgado, enaltece.
SERVIÇO PÚBLICO
No serviço público, o exame pode ser feito tanto no Hospital Geral de Fortaleza como no Hospital Geral César Cals.
As novas cápsulas disponíveis incorporaram um grande campo de visão, uma melhor qualidade de imagens e uma maior captura de imagens em um menor tempo, aumentando a performance no diagnóstico de patologias na área da gastroenterologia e da cirurgia digestiva. Não temos dúvida de que o grande desenvolvimento da endoscopia nos últimos tempos têm levado ao desenlace favorável na vida de muito pacientes, conclui.
Fonte: Jornal - Diário do Norteste
Fonte: Jornal - Diário do Norteste
terça-feira, 27 de outubro de 2015
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
Japonês e canadense ganham Nobel por descoberta sobre neutrino
O japonês Takaaki Kajita e o canadense Arthur B. McDonald foram anunciados ontem como os vencedores do prêmio Nobel de Física em 2015 por suas “descobertas históricas” sobre o neutrino, uma partícula cósmica fundamental para compreender o universo e sua origem.
Kajita, nascido em 1959, e McDonald, nascido em 1943, refutaram um princípio da física quântica, admitido durante muito tempo, segundo o qual o neutrino não tinha massa: assim, a revelação de ambos representa o triunfo da matéria sobre a antimatéria.
Seus trabalhos conduziram à “conclusão, de considerável alcance, de que os neutrinos, durante muito tempo considerados como carentes de massa, a possuem, apesar de frágil”, destaca o júri, que elogiou a “descoberta histórica”. Isto permite compreender o funcionamento interno da matéria e um melhor conhecimento do universo, explicou o júri da Real Academia Sueca de Ciências.
Contactado pela Fundação Nobel, Takaaki Kajita contou que recebeu a notícia do prêmio de colegas suecos, quando consultava seus emails.
“É uma verdadeira surpresa para mim. É um pouco difícil de acreditar”. disse.
Arthur McDonald afirmou que compartilhava o prêmio “com vários colegas que realizaram um trabalho considerável”. O neutrino, partícula elementar da matéria - que pode ser comparado a uma partícula-fantasma ou a um camaleão - está um bilhão de vezes mais presente no universo que cada um dos integrantes do átomo, mas, apesar disto, é incrivelmente difícil de ser detectado.
O neutrino, que intriga os físicos desde os anos 60, está, de fato, desprovido de carga elétrica, o que permite atravessar todo tipo de obstáculos. Sua existência foi formulada em 1931 pelo austríaco Wolfgang Pauli, prêmio Nobel de 1945, e demonstrada de maneira experimental 25 anos mais tarde pelo americano Frederick Reines, prêmio Nobel 1995.
Em 2002, o Nobel recompensou o americano Raymond Davis Jr e o japonês Masatoshi Koshiba, que revelaram as famosas oscilações do neutrino: ao propagar-se no espaço a uma velocidade próxima à luz, o neutrino tem a curiosa faculdade de metamorfose em três formas ou identidades diferentes.
Mas o neutrino ainda permanecia com seus segredos, pois os cientistas discordavam sobre a massa desta partícula: alguns a consideravam nula e outros muito frágil, inferior à milionésima parte da massa do elétron.Por isto, um dos grandes desafios é “captar” os evasivos neutrinos.
Saiba mais
Enquanto milhares de bilhões de neutrinos atravessam nosso corpo a cada segundo na velocidade da luz sem que sintamos absolutamente nada, Takaaki Kajita e Arthur McDonald conseguiram provar que os neutrinos são verdadeiros camaleões capazes de se transformar e inclusive, às vezes, voltar a seu estado inicial.Emitidos pelas estrelas e a atmosfera, também podem ser criados pela radioatividade beta, como a que é gerada pelas centrais nucleares.Atualmente, três espécies de neutrinos foram identificados. O neutrino do elétron, neutrino do múon, associado a um elétron pesado e o neutrino do tau, associado a um elétron ainda mais pesado.
Fonte: Jornal O Povo
segunda-feira, 24 de agosto de 2015
"E... assim surgiu a luz"
| Painel Universo em Evolução. Concepção de Augusto Damineli e ilustração de Paulo R. F. Santiago. |
Os anos internacionais são definidos pela Assembleia Geral da ONU que convoca sua vinculada, Unesco, para implementá-los entre os países que concordam em participar. Eles ocorrem desde o ano de 1957, que foi definido como sendo o Ano Internacional da Geofísica. O ano de 2005 foi proclamado como Ano Internacional da Física, em comemoração aos 100 anos em que Albert Einstein publicou seus artigos sobre a Teoria da Relatividade. Em 2009, tivemos o Ano Internacional da Astronomia, onde celebramos os 400 anos que Galileu Galilei apontou pela primeira vez um telescópio para o Céu.
O Ano Internacional da Luz tem como objetivos a celebração de alguns fatos importantes relacionados à luz na história da ciência. São eles: Os 1.000 anos da óptica árabe, com os trabalhos de Ibn Al-Haytham no ano de 1015; Os 200 anos do comportamento ondulatório da luz proposto pelo físico francês Augustin-Jean Fresnel (1788-1827); 150 anos da Teoria Eletromagnética da Luz do físico britânico James Clerk Maxwell (1831-1879); 110 anos da Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein e também os 100 anos dos seus trabalhos sobre o Efeito Fotoelétrico; 50 anos da descoberta da Radiação Cósmica de Fundo feita pelos físicos norte-americanos Arno Allan Penzias e Robert Woodrow Wilson; e ainda os 50 anos dos trabalhos do físico chinês Charles Kuen Kao sobre o uso das fibras ópticas nas comunicações.
Na coluna de hoje, resolvi participar das celebrações do Ano Internacional da Luz escrevendo algo sobre a luz no contexto do Universo. Afinal, o nosso Universo é constituído por estrelas que são a principal fonte de luz. Para tanto, não encontrei algo mais didático do que o impressionante painel Universo em Evolução, desenvolvido pelo astrofísico brasileiro professor doutor Augusto Damineli com ilustração de Paulo R. F. Santiago.
O painel mostra a evolução do Universo desde o Big Bang, passando pela evolução da vida na Terra, até o futuro do nosso Sistema Solar, com a morte do nosso Sol. Mas, como nossa coluna está se referindo à luz, fiz um corte no painel para salientar apenas o surgimento da luz. O painel completo está em exposição permanente no Planetário Rubens de Azevedo, com visitação gratuita, fixado no teto do Espaço Mix do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.
A figura acima ilustra duas fases: a fase dominada por luz e partículas, que durou cerca de 400 mil anos, e a fase da formação dos astros e evolução química, que durou cerca de 5 bilhões de anos.
Na descrição do painel Evolução do Universo, na fase dominada por luz e partículas, Augusto Damineli escreve:
“É possível que existam outros universos. O nosso nasceu há 13,7 bilhões de anos, numa grande explosão, o Big Bang. Uma gotícula de energia pura, infinitamente quente e densa, entrou em expansão e esfriamento. Eras inteiras se sucederam em frações de segundos. As quatro forças se desacoplaram uma após outra e a expansão acelerou-se de forma inflacionária. A matéria e a antimatéria criavam-se e aniquilavam-se mutuamente em forma de luz, restando apenas 1 bilionésimo da matéria que existia. À idade de 3 minutos, 10% do hidrogênio havia se transformado em hélio. O universo era uma espécie de sopa uniforme, luminosa e “intransparente” (como uma lâmpada de gás). A luz não permitia a aglutinação da matéria. Aos 400 mil anos, a temperatura baixou para 3 mil graus e o plasma ficou neutro, em forma de átomos. O céu tornou-se transparente e escuro, como ainda é hoje.”
Na fase da formação dos astros e evolução química, o autor do painel explica:
“Comandadas pela gravidade da ‘matéria escura’, as tênues nuvens de gás condensam-se em ‘rios’ de matéria. Após 200 milhões de anos de escuridão (idade das trevas), formou-se a primeira geração de estrelas que reiluminaram o universo e aglutinaram-se em galáxias. O coração quente das estrelas passou a fundir os átomos menores em maiores. As grandes estrelas formaram o oxigênio, e as médias formaram o carbono e o nitrogênio. Aos 2 bilhões de anos, o universo já estava repleto desses átomos biogênicos. Aos 5 bilhões de anos, a tabela dos elementos químicos estava completa. Átomos começavam a ligar-se formando moléculas, sendo a água uma das mais abundantes e mais antigas. Há 4,56 bilhões de anos, na periferia da galáxia da Via Láctea, uma nuvem de gás e poeira condensou-se, formando uma pequena estrela, o Sol, rodeado por um carrossel de planetas. Entre eles, um (pequeno) planeta rochoso situado na zona de água líquida, a Terra.”
Vou encerrar nossa coluna com um texto do doutor Damineli, que faz parte das descrições do painel Evolução do Universo.
“Num universo em que os próprios astros são transitórios, a humanidade não é mais que um brevíssimo capítulo. Embora microscópica no tempo e no espaço, é ela, entretanto, quem conta esta grande história. Nós contemos o universo que nos contém.”
FONTE: JORNAL O POVO
FONTE: JORNAL O POVO
quarta-feira, 19 de agosto de 2015
Cientistas dizem que o Universo está morrendo
O Universo está morrendo pouco a pouco, segundo uma equipe internacional de cientistas, concluindo que a energia produzida atualmente por 200 mil galáxias é duas vezes menor que há dois bilhões de anos. Os pesquisadores realizaram as medições mais precisas da energia já realizadas até agora numa ampla zona do espaço sideral. A energia emitida se dividiu em dois nos mais recentes dois bilhões de anos e não para de cair, concluíram.
“A partir de agora, o Universo está fadado ao declínio”, explicou na cidade de Crawley, Simon Driver, integrante do Centro Internacional de Pesquisas Radioastronômicas (Icrar) da Austrália, que participou do projeto. “O Universo estirou-se no sofá, cobriu-se com uma manta e se prepara para um sono eterno”, diz.
Os pesquisadores utilizaram sete dos radiotelescópios mais potentes do mundo para observar durante oito anos galáxias em 21 longitudes de onda diferentes, como as infravermelhas ou as ultravioletas, no âmbito do estudo Gama. O estudo é resultado da colaboração de uma centena de cientistas de mais de 30 universidades australianas, europeias e norte-americanas.
Grande parte da energia que circula através do Universo foi gerada depois do Bigue-Bangue, a explosão criadora do Cosmo. Mas, também há liberação constante da energia nova graças à fusão termonuclear das estrelas. “Esta energia nova ou é absorvida pela poeira ou viaja até que se choca em algo como uma estrela, um planeta”, afirmou Driver. Os pesquisadores sabem há tempos que o ritmo de criação de estrelas no Universo está em declínio.
FONTE: JORNAL O POVO
O que é feito do lixo nuclear?
“Sociedade sem energia normalmente não é uma sociedade bem desenvolvida”. A afirmação é do doutor em Engenharia Nuclear e professor do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares da Universidade de São Paulo (IPEN/USP), João Manoel Losada Moreira. Conforme ele, a energia nuclear como fonte de energia elétrica começou a ser utilizada de forma mais efetiva na década de 1960. Hoje, um dos seus maiores destaques é a não emissão de CO2 na atmosfera. Mas podem ser incluídas ainda, entre as vantagens, a grande disponibilidade de combustível (elementos radioativos), não depender de fatores climáticos e gerar pequena quantidade de resíduo.
“O volume de resíduos radioativos é pequeno em relação a uma fonte fóssil, como carvão ou gás natural, onde tudo que entra como matéria-prima é emitida para a atmosfera. Na nuclear, como é muita energia por unidade de massa, a quantidade emitida é pequena”, detalha o professor. Conforme ele, existem três tipos de rejeitos radioativos, de baixo, médio e alto níveis. O tempo de duração, que varia entre dezenas e milhares de anos, e o tipo de armazenagem os diferenciam e definirão quantidade e qualidade de barreiras de contatos. Os de alto nível podem durar entre 500 e até milhares de anos, enquanto os de médio têm duração de 300 anos e, os de baixo nível, cerca de 30 anos.
Para armazenar o lixo radiativo, o caminho é separá-lo ao máximo dos humanos. De acordo com João Manoel, o material é desidratado, misturado em uma matriz (cimento, por exemplo) que impeça qualquer reação química. Depois, há uma blindagem e ele é colocado em um tambor de ferro ou aço fundido.
A instalação, na maioria das vezes debaixo da terra, é uma das últimas barreiras. “Os de alto nível são colocados geralmente em uma área de montanha, que não tenha corpos aquáticos, com algumas galerias de rocha. Precisa monitorar, ver se não tem nenhum tipo de deterioração ou algum tipo de reação”. Resíduo, matriz, tambor, instalação, caverna, geosfera, biosfera, ser humano. Essa é a sequência de barreiras que, a depender do nível de resíduo, devem separar o lixo do contato com pessoas.
Reciclagem
O Brasil ainda não realiza, mas França, Japão e China já reciclam os rejeitos das usinas. “O combustível opera por um ano ou um ano e meio. A reciclagem poderia aproveitar 97,6% do material e armazenar apenas 2,4% (se for de nível médio)”, acrescenta. O fato de as usinas brasileiras ainda não reciclarem, diz ele, deve-se a uma “falta de decisão”. “Só temos dois reatores, então talvez, por enquanto, seja mais fácil guardar”.
De acordo com João, os Estados Unidos não reciclam, com a intenção de guardar o material e usá-lo para fins bélicos. “Toda a questão de salvaguarda internacional são sobre estas matérias”, avalia. Os franceses possuem 58 reatores, os americanos têm cerca de 100 e estão construindo mais cinco. “Cerca de 70 reatores estão sendo construídos atualmente no mundo”.
“O volume de resíduos radioativos é pequeno em relação a uma fonte fóssil, como carvão ou gás natural, onde tudo que entra como matéria-prima é emitida para a atmosfera. Na nuclear, como é muita energia por unidade de massa, a quantidade emitida é pequena”
FONTE: JORNAL O POVO
FONTE: JORNAL O POVO
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
Você tem que saber
BANGLADESH
TIGRE BENGALA EM EXTINÇÃO
A população de tigres de Bengala diminui a um ritmo alarmante nos Sundarbans, a maior floresta de manguezal do mundo, em Bangladesh, segundo estudo publicado na última semana. Enquanto 440 exemplares da espécie foram contabilizados em 2004 neste ecossistema excepcional, inscrito no patrimônio mundial pela Unesco, os grandes felinos na realidade são apenas uma centena, afirmou Tapan Kumar Dey, responsável pela proteção da fauna e da flora do governo. Depois de um ano de observação, contaram entre 83 e 130. (AFP).
SAÚDE
O RISCO DE VACINAS DEFEITUOSAS
Vacinas defeituosas ou “permeáveis” poderiam gerar vírus ainda mais poderosos - é o que diz estudo realizado em aves que levanta preocupações sobre o desenvolvimento de algumas vacinas em seres humanos. Quando uma vacina funciona como deve, como a da varíola, da pólio e do sarampo, protege os vacinados e também previne a transmissão do vírus. Mas este novo estudo publicado na revista PLoS Biology, percebeu que as vacinas imperfeitas protegem as aves, mas permitem que o vírus sobreviva de forma mais prejudicial.”Permitem que os vírus virulentos continuem a evoluir”, disse um dos autores, Venugopal Nair, do Instituto de Pirbright, no Reino Unido. (AFP)
TRANSPLANTE
MENINO RECEBE DUAS MÃOS
Um menino de oito anos recebeu um duplo transplante de mãos - algo inédito no mundo para esta faixa etária - na última terça, em um hospital infantil da Filadélfia, anunciou a própria instituição. A equipe médica enxertou em Zion Harvey as duas mãos e os antebraços de um doador. Nascido em Baltimore, o menino perdeu as mãos e os pés em uma grave infecção, que também o obrigou a um transplante de rim. Zion caminha e consegue comer, escrever e até jogar videogame com o auxílio de próteses. Seu sonho agora é lançar uma bola com as novas mãos. O transplante contou uma equipe médica multidisciplinar de 40 pessoas. (AFP)
Fonte: Jornal O Povo
A era nuclear
Um momento na história, em 1945, quando a energia nuclear foi usada para bombardear as cidades de Hiroshima e Nagasaki, no Japão. Foi também quando se intensificaram as descobertas que mudariam o mundo, a sociedade, o futuro. Através de uma unidade, minúscula, que compõe as moléculas de todo e qualquer corpo existente no universo: o átomo. Iniciar guerras e exterminar populações. Mas também gerar energia elétrica, diminuir o aquecimento global, intensificar a ação de submarinos, rastrear o metabolismo de uma planta com fins farmacêuticos ou erradicar pragas de plantações. Sim, a fórmula de prótons (partículas com carga positiva) e nêutrons (partículas sem carga) em um núcleo, rodeado de elétrons (partículas com carga negativa), pode ter todos esses fins.
As aulas de Física e Química ensinam sobre esse poder da energia nuclear, que dá origem ao fenômeno de radiação. Como isto acontece: o núcleo do átomo de um elemento químico pesado (como o urânio) é quebrado em dois núcleos menores e atingido por um nêutron, num processo denominado de fissão nuclear. Uma reação em cadeia então começa, porque, além dos dois novos núcleos, surgiram também mais nêutrons, que podem atingir outros núcleos de átomos do urânio e isso, acontecendo de forma sucessiva, libera muito calor. Controlar- ou não - essa reação é o que vai diferenciar o uso pacífico ou bélico na energia atômica.
“Existem quatro forças fundamentais na natureza: a gravidade, o eletromagnetismo, a força fraca e a forte, que é chamada nuclear”, destaca o coordenador do curso de Física da Universidade Federal do Ceará (UFC), Carlos Alberto Santos. E essa força está mais presente no cotidiano da humanidade do que se imagina. A radiação emitida por alguns elementos – que pode vir na forma de partículas beta e alfa ou por onda eletromagnética gama (você também já ouviu falar sobre elas na escola)- já traz benefícios na medicina, indústria, meio ambiente... Em uma analogia mais simplificada: os raios nucleares vêm dentro do corpo, de objetos, da água, das plantas.
Atualmente, entre as mais intensas discussões mundiais estão o uso da energia nuclear para geração de energia elétrica, nas usinas nucleares, e a possibilidade de países usarem o material radioativo para a confecção de armas nucleares. A construção, funcionamento e, principalmente, a segurança dos conhecidos reatores nucleares (câmaras onde a reação de fissão é controlada para impulsionar turbinas e que serão responsáveis pela produção de energia) são alvos constantes de questionamentos, fruto de acidentes que já se transformaram em tragédias.
Na outra ponta dos debates, o perigo das bombas atômicas. Enquanto o mundo tenta assinar acordos onde haja comprometimento sobre o não uso de energia nuclear para destruir, países intensificam as tecnologias que tornam elementos radioativos cada vez mais potentes, não revelam onde o lixo atômico (e perigoso) está sendo depositado. Há perigo. Mas, entre as utilizações da energia gerada no núcleo dos átomos, está o benefício à sociedade, à economia, à saúde. O Ciência&Saúde detalhará essa fonte, crescente, revolucionária e polêmica.
Fonte: Jornal O Povo
Plutão - Chegada de nave abre campo de exploração
| Nasa registrou imagem da maior lua de Plutão, a Charon |
Classificado como planeta anão em 2006, Plutão seguia inexplorado pela Ciência, mas depois de histórica viagem de nove anos e uma distância percorrida de cinco bilhões de quilômetros, teve suas primeiras imagens em alta resolução reveladas na última semana. A nave espacial da Nasa, batizada de News Horizons - de 700 milhões de dólares e do tamanho de um piano -, passou apenas a 12.430 quilômetros da superfície. A sonda tirou fotografias com uma resolução de cerca de 100 metros por pixel e recolheu de Plutão e de suas cinco luas dados que devem demorar 16 meses para serem totalmente conhecidos. Desde 1989, uma nave não visitava um sistema planetário.
De acordo com John Grunsfeld, administrador adjunto da missão, conhecer detalhes sobre Plutão tem captado a atenção do público porque revela notícias sobre a origem da Terra e gera mais perguntas, como, por exemplo, se a vida extraterrestre é possível. “O sistema de Plutão é um fóssil dos primórdios do sistema solar. Agora sabemos de onde viemos. Isto abre um novo campo na exploração”, disse Grunsfeld.
Descobertas
As fotos da sonda revelam que o planeta anão tem uma superfície cheia de curiosidades: de uma imagem escura com forma de baleia até uma silhueta clara e brilhante que se parece com um coração - uma planície congelada sem crateras com cerca de 20 quilômetros. Também descobriram que Plutão é um pouco maior do que se pensava, com um raio de 1.185 quilômetros.
Plutão tem cordilheiras geladas em sua superfície, com montanhas de altitude de 3.400 metros. “A base que forma estas montanhas deve ser feita de H2O, de água-gelo”, explicou Alan Stern, principal cientista da missão. Existem outros tipos de gelo sobre a superfície de Plutão, formados a partir de nitrogênio, metano e monóxido de carbono. Mas “não é possível fazer montanhas a partir disso. Seria muito fraco”, explicou John Spencer, um dos cientistas do projeto.
A Nasa, agência espacial americana, também informou que Plutão é geologicamente ativo e contém áreas que, em termos astronômicos, são bastante jovens: talvez menos de 100 milhões de anos.
Fonte: Jornal O Povo
Nasa descobre planeta "primo mais velho" da Terra
Astrônomos que estão à procura de outro planeta Terra no Espaço encontraram um corpo celeste que pode ser o mais parecido até agora: um globo rochoso na órbita de uma estrela à distância correspondente entre a Terra e o Sol. Foi o que informou, em Washington, a Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (Nasa), agência espacial dos Estados Unidos.
O planeta, distante cerca de 1.400 anos-luz da Terra, poderia oferecer uma ideia do que será o apocalíptico futuro da Terra, de acordo com os cientistas. Batizado de Kepler 452b, o corpo celeste foi detectado pelo telescópio espacial da Nasa orbitando a Terra, o Kepler, instrumento captando imagens minuciosas do céu em busca de outros mundos, desde 2009.
“O Kepler 452b está orbitando um primo próximo do Sol, mas que é 1,5 bilhão de anos mais velho”, declarou a Nasa em um comunicado. Além disso, essa estrela é 4% maior que o Sol e 10% mais brilhante. O planeta dá uma volta completa em torno de sua estrela em 385 dias e seu raio é 60% maior que o da Terra. Também há muitas possibilidades de que seja rochoso, apresenta uma atmosfera espessa e poderia ter água em estado líquido que facilite a existência de vida.
Se o planeta é rochoso, e os cientistas têm razões para acreditar que sim, poderia, então, estar em meio a um cenário terrível, já que o calor de sua estrela moribunda estaria evaporando os lagos e oceanos. “Se Kepler 542b é realmente um planeta rochoso, sua localização em relação a sua estrela poderia significar que está passando pela pior fase de efeito estufa de sua história climática”, declarou o astrônomo Doug Caldwell, representante na missão Kepler da instituição Pesquisa de Inteligência Extraterreste (Seti), cuja meta é buscar formas de vida fora da Terra.
“A crescente energia de seu sol envelhecido poderia estar aquecendo a superfície e evaporando qualquer oceano que exista. O vapor d’água poderia estar se perdendo do planeta para sempre”, acrescentou. Em conclusão, “Kepler 452b poderia estar experimentando agora o que sofrerá a Terra daqui a um bilhão de anos, à medida que o Sol envelheça e se torne mais brilhante”.
Fonte: Jornal O Povo
quarta-feira, 5 de agosto de 2015
Sonda espacial alcança maior aproximação do planeta Plutão
Primeira nave terrestre a se aproximar do mais longínquo planeta do Sistema Solar, a sonda automática norte-americana New Horizons, lançada pela agência espacial Nasa em 2006, passou ontem à sua menor distância de Plutão, em uma viagem histórica, que permitirá obter mais informações sobre o corpo celeste. Rebaixado a anão há nove anos pela União Astronômica Internacional (UAI), Plutão foi reabilitado como planeta convencional em 2014.
| Funcionários da Nasa comemoraram o feito da sonda New Horizons, que após viagem de 4,8 bilhões de km, passou a 12,4 mil km de Plutão |
“A sonda New Horizons conseguiu a maior aproximação de Plutão após uma jornada de três bilhões de milhas”, afirmou o comentarista da Nasa no Centro de Física Aplicada Johns Hopkins, no subúrbio de Washington. A uma velocidade de mais de 49.300 quilômetros por hora, depois de uma viagem de 4,8 bilhões de quilômetros, a New Horizons passou a apenas 12.430 km de Plutão, às 8h49min de Brasília.
“Nós completamos o reconhecimento inicial do sistema solar, uma empreitada começada no governo do presidente (John F.) Kennedy (1961-1963) mais de 50 anos atrás e continuada hoje sob a liderança do presidente (Barack) Obama, lembrou o principal pesquisador da New Horizons, Alan Stern.
| A sonda já tem enviado imagens e impressões ao longo de sua aproximação, há varias semanas |
Obama comemorou o sucesso da missão no Twitter. “Parabéns a @NASANewHorizons por ter realizado uma viagem de três bilhões de milhas”, escreveu o presidente norte-americano no Twitter.
Desde a Voyager 2, que sobrevoou Netuno em 1989, nenhum planeta distante havia sido aproximado de tão perto. Ontem também completou meio século do primeiro voo rasante sobre Marte, em 14 de julho de 1965, pela sonda Mariner 4.
A sonda dispõe de sete instrumentos de medição de alta performance. A nave está projetada para escanear a superfície de Plutão, analisar a composição de sua atmosfera, sua formação, recolher a temperatura de sua superfície e fotografar.
O que se sabe até agora sobre Plutão provavelmente caberia em um par de páginas. Mas com os dados que serão enviados pela New Horizons, se tudo correr bem, será possível escrever textos inteiros sobre este misterioso corpo celeste. A missão pioneira da Nasa conseguiu confirmar a existência de uma camada de gelo polar em Plutão e descobriu nitrogênio escapando de sua atmosfera.
Fonte: Jornal O Povo
quinta-feira, 30 de julho de 2015
Missão para encontrar vida inteligente vacila

Há quase 20 anos, a revista "Bioastronomy News" organizou e publicou um debate entre dois luminares da esfera científica a respeito da probabilidade de êxito do programa Busca por Inteligência Extraterrestre (Seti, na sigla em inglês). Carl Sagan deu sua resposta padrão: com bilhões de estrelas em nossa galáxia, deve haver outras civilizações capazes de transmitir ondas eletromagnéticas. Ao examinar o céu com radiotelescópios, poderíamos interceptar algum sinal.
Oponente de Sagan, o biólogo evolutivo Ernst Mayr apresentou seus próprios números astronômicos: entre os bilhões de espécies que viveram e morreram desde que a vida teve início, apenas uma -a Homo sapiens- desenvolveu uma ciência, uma tecnologia e curiosidade para investigar as estrelas. E isso demandou cerca de 3,5 bilhões de anos de evolução. A inteligência complexa, concluiu Mayr, é extremamente rara aqui e em qualquer outro lugar. A forma de vida mais abundante na Terra é o limo unicelular.
Desde o debate, mais de 1.700 planetas foram descobertos além do sistema solar -700 deles apenas neste ano. Astrônomos calculam que uma entre cada cinco estrelas semelhantes ao Sol na Via Láctea pode ser orbitada por um mundo capaz de sustentar algum tipo de vida.
Isso equivale a cerca de 40 bilhões de hábitats potenciais. Porém, Mayr, que morreu em 2005, provavelmente não ficaria impressionado. Pelos seus cálculos, as chances ainda seriam muito baixas de haver algo além de mundos viscosos. Por ora, não surgiu evidência que derrube sua teoria.
Alguns cientistas dizem que o problema é que não estamos procurando com o devido afinco. Desde sua criação, no início dos anos 1960, o programa Seti tem lutado para obter as verbas necessárias para monitorar inclusive pequenos quadrantes do céu. Em um ensaio on-line em meados de agosto, Seth Shostak, o astrônomo-chefe do Instituto Seti, lamentou a escassez de recursos financeiros para a busca -apenas uma fração do orçamento da Nasa.
Já se passaram mais de 3,5 bilhões de anos desde que as primeiras células simples surgiram, e foram precisos outros bilhões de anos para que algumas delas evoluíssem e se unissem simbioticamente em organismos multicelulares primitivos. Por meio de mutações, essas colmeias bioquímicas acabaram gerando seres aptos a se recordar, prever e -ao menos no caso dos humanos- a se perguntar o que tudo significa.
Cada passo foi aleatório, como a combinação arbitrária de números que ganha uma loteria. Em "Wonderful Life", Stephen Jay Gould especula que se um ser coleante chamado Pikaia gracilens não tivesse sobrevivido à extinção cambriana, cerca de 500 mil anos atrás, todo o filo dos cordados, que inclui os vertebrados como nós, poderia jamais ter existido.
"Escapamos por muito pouco milhares e milhares de vezes de não existir caso, a história houvesse dado uma guinada para outro canal sensível", escreveu Gould. Outros biólogos discordam da conclusão de Gould. No decorrer da evolução, os olhos e a multicelularidade já surgiram independentemente. Então, por que isso não se aplicaria a vértebras, medulas e cérebros? Quanto maior o arsenal de recursos que um organismo tem à sua disposição, maior será sua chance de sobrevivência.
Conforme os argumentos de Daniel Dennett em "Darwin's Dangerous Idea", a maioria dos organismos parece ter "chegado a uma solução relativamente simples para os problemas no início da vida, agarrou-se a ela um bilhão de anos atrás e desde então não teve muito controle sobre o que ocorreu". Nossa apreciação da complexidade, escreveu ele, "pode ser ditada apenas por uma preferência estética."
Em "Five Billion Years of Solitude" [Cinco bilhões de anos de solidão], de Lee Billings, publicado no ano passado, Frank Drake, um dos pioneiros do Seti, afirmou: "Neste exato momento, mensagens vindas das estrelas podem estar entrando nesta sala e passando por você e eu. E se tivéssemos o receptor certo acoplado adequadamente, nós conseguiríamos detectá-las."
Fonte: Folha de São Paulo
sexta-feira, 5 de junho de 2015
terça-feira, 2 de junho de 2015
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