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quarta-feira, 25 de maio de 2016
terça-feira, 22 de março de 2016
O que você precisa saber sobre CATARATA
Catarata é a opacificação de uma estrutura que age como uma lente dentro dos olhos, chamada de cristalino. As causas são variadas: idade (senil), após traumatismos oculares, após inflamações intraoculares (uveíte crônica), diabetes, uso de corticoides (medicamento muito usado nas doenças reumáticas), congênita (já existente ao nascer), entre outros.
O diagnóstico da catarata geralmente leva o paciente a uma ansiedade muito grande e algumas perguntas surgem de imediato. Veja algumas e tire suas dúvidas. Nós conversamos com o oftalmologista Giuliano Pires, do CLDO.
O que fazer em caso de diagnóstico de catarata?
Depende da intensidade da catarata e do quanto ela prejudica a visão.
Óculos não melhoram?
Uma catarata inicial só muda o grau e, nestes casos, a mudança do grau dos óculos é suficiente para melhorar a visão naquele momento.
Como podemos evitar sua progressão?
Importante ressaltar que, uma vez iniciado o processo da opacificação do cristalino, não dispomos de nenhum meio efetivo para atrasar ou evitar sua progressão (embora haja alguns colírios no mercado, não há comprovação científica).
É necessário aguardar a catarata “madurar”?
MADURAR a catarata é uma expressão usada para definir o momento certo para a cirurgia. Há alguns anos, com técnicas cirúrgicas menos seguras, geralmente “madurar” significava cegueira neste olho. Assim, operava-se quando a pessoa não mais enxergava. Atualmente, como o advento da FACOEMULSIFICAÇÃO (Cirurgia Moderna de Catarata), a decisão da cirurgia baseia-se não só na visão diminuída, mas também na ocupação da pessoa, na idade, no quanto a catarata está dificultando as funções habituais.
Qual a diferença entre a moderna cirurgia de catarata e a tradicional?
Designamos FACOEMULSIFICAÇÃO como Moderna Cirurgia de Catarata, por ser uma técnica bastante avançada. Através de um orifício de pouco mais de dois milimetros, um aparelho emite ondas de ultrassom dentro do olho, derrete e aspira a catarata. Através desse orifício, coloca-se um cristalino artificial (lente) dobrado. Isso geralmente dispensa o uso de sutura (ponto), tornando a recuperação visual mais rápida e a cirurgia mais segura.
A cirurgia de catarata tem riscos?
Como todo e qualquer procedimento cirúrgico, ela não está isenta de riscos, porém temos que lembrar que catarata é uma doença e precisa ser tratada.
Uma pessoa com mais de 80 anos pode fazer cirurgia?
O tipo de catarata mais frequente é o relacionado à idade. A anestesia é local e, com uma avaliação clínica prévia, pode-se submeter à cirurgia sem maiores riscos à sua saúde. Se um paciente já tem com a idade vários problemas, imagine também não enxergar, atrapalhando para andar, para se relacionar com as pessoas etc. E a catarata é a maior causa de cegueira evitável do mundo!
É verdade que, nos pacientes diabéticos, a recuperação é pior (não cicatriza)?
A recuperação do paciente diabético controlado é equivalente a do não diabético. É importante que ele esteja bem controlado e que uma avaliação oftalmológica prévia seja bem feita para detectar outras causas de baixa visual no paciente diabético como a retinopatia diabética.
E a cirurgia de catarata a laser?
Recentemente, a cirurgia de catarata a laser entrou no Brasil e veio trazer ainda mais precisão ao procedimento.
A cirurgia e a recuperação da facoemulsificação são dolorosas?
Não, o procedimento dura em torno de 15 minutos, o paciente não costuma sentir dor nem durante, nem no período seguinte à cirurgia. O repouso é relativo, evitando realização de grandes esforços físicos, mas os pacientes podem retornar às suas atividades geralmente num tempo muito inferior ao de antigamente.
Podemos operar a catarata sem implantar a lente intraocular?
Uma preocupação frequente dos pacientes diz respeito à lente intraocular. É importante ressaltar que, ao operar a catarata, extraímos uma lente natural do olho e ela precisa ser reposta, caso contrário, voltaremos 50 anos atrás, quando os pacientes operavam a catarata e ficavam dependentes daqueles óculos com grau enorme (as chamadas lentes “fundo de garrafa”). Nos últimos anos, dispomos de um grande arsenal de tipos de lentes intraoculares. Elas diferem no material, no tamanho, uni ou multifocais. Todas estas diferenças são resultados de pesquisas com o intuito de diminuir a dependência dos óculos, materiais biocompativos. Somente o médico oftalmologista pode indicar a melhor lente para cada caso.
Fonte: Jornal - Diário do Norteste
Fonte: Jornal - Diário do Norteste
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
Cientistas detectam ondas gravitacionais
| "Detectamos as ondas gravitacionais, conseguimos!", disse entre aplausos David Reitze, físico da Caltech |
Em um marco para a física e a astronomia, cientistas de vários países anunciaram ontem ter detectado de forma direta as ondas gravitacionais, ondulações do espaço-tempo que foram previstas por Albert Einstein em 1915.
“Detectamos as ondas gravitacionais, conseguimos!”, disse entre aplausos David Reitze, físico da Caltech (California Institute of Technology) e diretor do laboratório Ligo (Laser Interferometer Gravitational-wave Observatory).
O anúncio foi feito em coletiva de imprensa realizada em Washington.
As ondas foram detectadas em setembro do ano passado, após 50 anos de esforços, graças aos instrumentos do Ligo.
“Esta descoberta é o início de uma nova era; a era da astronomia das ondas gravitacionais já é uma realidade”, disse Gabriela González, porta-voz da equipe Ligo e professora de astrofísica na universidade estatal de Louisiana.
“Graças a esta descoberta, a humanidade embarca na maravilhosa exploração dos lugares mais extremos do Universo, onde se formam objetos e fenômenos pela deformação do espaço-tempo”, disse Kip Thorne, professor de física teórica na Caltech.
“Este passo marca o nascimento de um domínio inteiramente novo da astrofísica, comparável ao momento em que Galileu apontou pela primeira vez seu telescópio ao céu” no século XVII, disse France Cordova, diretora da Fundação Nacional Americana de Ciências (National Science Foundation), que financia o laboratório Ligo.
Dois buracos-negros se chocaram há 1,3 bilhão de anos. O cataclismo lançou estas ondas em todas as direções até que chegaram à Terra no dia 14 de setembro, onde foram captadas por instrumentos instalados nos Estados Unidos.
Esta descoberta foi feita em colaboração com equipes de investigação europeias, especialmente de França, Itália e Alemanha.
As ondas gravitacionais são produzidas por perturbações na trama do espaço-tempo pelos efeitos do deslocamento de um objeto de grande massa. Estas perturbações se deslocam na velocidade da luz em forma de ondas e nada as detêm.
Este fenômeno, previsto por Einstein há um século, costuma ser representado como a deformação que ocorre quando um peso repousa sobre uma rede. Neste caso, a rede representa no tecido do espaço-tempo.
Fonte: Jornal O Povo
terça-feira, 27 de outubro de 2015
quinta-feira, 22 de outubro de 2015
Nasa divulga imagens raras da conquista da Lua
Um arquivo de mais 11 mil imagens das missões Apollo foi disponibilizado na web, e em uma página do Flickr. As imagens históricas de todas as missões tripuladas realizadas entre 1961 e 1972 foram escaneadas e postadas online em um projeto que já dura 15 anos
| A equipe da missão Apollo 9 inicia uma caminhada espacial |
Kipp Teague é o fundador do Project Apollo Archive e disse à BBC que “grandes cortes de orçamento” levaram a agência espacial americana a admitir que não tinha os recursos para publicar esse acervo. Então, Teague resolveu publicar as fotos online.
O projeto foi criado em 1999 e era, como o próprio Teague escreveu no site, uma “retrospectiva pessoal da era da corrida espacial”. Mas ele começou a ser questionado sobre sua decisão de editar algumas imagens.
| Esta é uma imagem da órbita lunar feita durante a missão Apollo 15 |
Então, desta vez, Teague postou as imagens sem edição, em alta resolução. “Muitas vezes, durante todos estes anos, me perguntaram se eu poderia disponibilizá-las de um jeito mais acessível. Senti que era o momento que mostrar as versões com resolução total, sem edição”, disse Teague à BBC.
| Uma imagem mais próxima da superfície da Lua |
As imagens finais foram coletadas nos últimos “quatro ou cinco anos” e mostram desde imagens da Terra e da Lua até as fotos mais famosas das caminhadas na Lua.
A galeria de fotos é um projeto que Teague lançou em colaboração com a revista Apollo Lunar Surface Journal , de Eric Jones, que Teague descreve como “a bíblia das missões Apollo”.
Acervo chegará a 13 mil
No momento são pouco mais de 11 mil fotos carregadas no Flickr, mas Teague espera conseguir colocar 13 mil imagens dentro de poucos dias. E, por enquanto, a página já conta com mais de 20 mil seguidores, algo que surpreendeu Teague. “Acho que isto significa que o apetite (pela história espacial) existe no mundo todo.”
Cada foto tirada na Lua pelos astronautas foi feita com antigas câmeras Hasselblad, que ficavam presas no peito do astronauta. Além destas, também foram colocadas no Flickr imagens das jornadas dos astronautas entre a Terra e a órbita lunar.
É possível ver também fotos de eventos nem tão importantes, como os astronautas comendo a ração que podiam levar nas viagens, testando veículos de exploração lunar ou simplesmente sorrindo para a câmera, usando os antigos trajes e equipamentos. (das agências de notícias)
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
Japonês e canadense ganham Nobel por descoberta sobre neutrino
O japonês Takaaki Kajita e o canadense Arthur B. McDonald foram anunciados ontem como os vencedores do prêmio Nobel de Física em 2015 por suas “descobertas históricas” sobre o neutrino, uma partícula cósmica fundamental para compreender o universo e sua origem.
Kajita, nascido em 1959, e McDonald, nascido em 1943, refutaram um princípio da física quântica, admitido durante muito tempo, segundo o qual o neutrino não tinha massa: assim, a revelação de ambos representa o triunfo da matéria sobre a antimatéria.
Seus trabalhos conduziram à “conclusão, de considerável alcance, de que os neutrinos, durante muito tempo considerados como carentes de massa, a possuem, apesar de frágil”, destaca o júri, que elogiou a “descoberta histórica”. Isto permite compreender o funcionamento interno da matéria e um melhor conhecimento do universo, explicou o júri da Real Academia Sueca de Ciências.
Contactado pela Fundação Nobel, Takaaki Kajita contou que recebeu a notícia do prêmio de colegas suecos, quando consultava seus emails.
“É uma verdadeira surpresa para mim. É um pouco difícil de acreditar”. disse.
Arthur McDonald afirmou que compartilhava o prêmio “com vários colegas que realizaram um trabalho considerável”. O neutrino, partícula elementar da matéria - que pode ser comparado a uma partícula-fantasma ou a um camaleão - está um bilhão de vezes mais presente no universo que cada um dos integrantes do átomo, mas, apesar disto, é incrivelmente difícil de ser detectado.
O neutrino, que intriga os físicos desde os anos 60, está, de fato, desprovido de carga elétrica, o que permite atravessar todo tipo de obstáculos. Sua existência foi formulada em 1931 pelo austríaco Wolfgang Pauli, prêmio Nobel de 1945, e demonstrada de maneira experimental 25 anos mais tarde pelo americano Frederick Reines, prêmio Nobel 1995.
Em 2002, o Nobel recompensou o americano Raymond Davis Jr e o japonês Masatoshi Koshiba, que revelaram as famosas oscilações do neutrino: ao propagar-se no espaço a uma velocidade próxima à luz, o neutrino tem a curiosa faculdade de metamorfose em três formas ou identidades diferentes.
Mas o neutrino ainda permanecia com seus segredos, pois os cientistas discordavam sobre a massa desta partícula: alguns a consideravam nula e outros muito frágil, inferior à milionésima parte da massa do elétron.Por isto, um dos grandes desafios é “captar” os evasivos neutrinos.
Saiba mais
Enquanto milhares de bilhões de neutrinos atravessam nosso corpo a cada segundo na velocidade da luz sem que sintamos absolutamente nada, Takaaki Kajita e Arthur McDonald conseguiram provar que os neutrinos são verdadeiros camaleões capazes de se transformar e inclusive, às vezes, voltar a seu estado inicial.Emitidos pelas estrelas e a atmosfera, também podem ser criados pela radioatividade beta, como a que é gerada pelas centrais nucleares.Atualmente, três espécies de neutrinos foram identificados. O neutrino do elétron, neutrino do múon, associado a um elétron pesado e o neutrino do tau, associado a um elétron ainda mais pesado.
Fonte: Jornal O Povo
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
Plutão - Chegada de nave abre campo de exploração
| Nasa registrou imagem da maior lua de Plutão, a Charon |
Classificado como planeta anão em 2006, Plutão seguia inexplorado pela Ciência, mas depois de histórica viagem de nove anos e uma distância percorrida de cinco bilhões de quilômetros, teve suas primeiras imagens em alta resolução reveladas na última semana. A nave espacial da Nasa, batizada de News Horizons - de 700 milhões de dólares e do tamanho de um piano -, passou apenas a 12.430 quilômetros da superfície. A sonda tirou fotografias com uma resolução de cerca de 100 metros por pixel e recolheu de Plutão e de suas cinco luas dados que devem demorar 16 meses para serem totalmente conhecidos. Desde 1989, uma nave não visitava um sistema planetário.
De acordo com John Grunsfeld, administrador adjunto da missão, conhecer detalhes sobre Plutão tem captado a atenção do público porque revela notícias sobre a origem da Terra e gera mais perguntas, como, por exemplo, se a vida extraterrestre é possível. “O sistema de Plutão é um fóssil dos primórdios do sistema solar. Agora sabemos de onde viemos. Isto abre um novo campo na exploração”, disse Grunsfeld.
Descobertas
As fotos da sonda revelam que o planeta anão tem uma superfície cheia de curiosidades: de uma imagem escura com forma de baleia até uma silhueta clara e brilhante que se parece com um coração - uma planície congelada sem crateras com cerca de 20 quilômetros. Também descobriram que Plutão é um pouco maior do que se pensava, com um raio de 1.185 quilômetros.
Plutão tem cordilheiras geladas em sua superfície, com montanhas de altitude de 3.400 metros. “A base que forma estas montanhas deve ser feita de H2O, de água-gelo”, explicou Alan Stern, principal cientista da missão. Existem outros tipos de gelo sobre a superfície de Plutão, formados a partir de nitrogênio, metano e monóxido de carbono. Mas “não é possível fazer montanhas a partir disso. Seria muito fraco”, explicou John Spencer, um dos cientistas do projeto.
A Nasa, agência espacial americana, também informou que Plutão é geologicamente ativo e contém áreas que, em termos astronômicos, são bastante jovens: talvez menos de 100 milhões de anos.
Fonte: Jornal O Povo
Nasa descobre planeta "primo mais velho" da Terra
Astrônomos que estão à procura de outro planeta Terra no Espaço encontraram um corpo celeste que pode ser o mais parecido até agora: um globo rochoso na órbita de uma estrela à distância correspondente entre a Terra e o Sol. Foi o que informou, em Washington, a Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (Nasa), agência espacial dos Estados Unidos.
O planeta, distante cerca de 1.400 anos-luz da Terra, poderia oferecer uma ideia do que será o apocalíptico futuro da Terra, de acordo com os cientistas. Batizado de Kepler 452b, o corpo celeste foi detectado pelo telescópio espacial da Nasa orbitando a Terra, o Kepler, instrumento captando imagens minuciosas do céu em busca de outros mundos, desde 2009.
“O Kepler 452b está orbitando um primo próximo do Sol, mas que é 1,5 bilhão de anos mais velho”, declarou a Nasa em um comunicado. Além disso, essa estrela é 4% maior que o Sol e 10% mais brilhante. O planeta dá uma volta completa em torno de sua estrela em 385 dias e seu raio é 60% maior que o da Terra. Também há muitas possibilidades de que seja rochoso, apresenta uma atmosfera espessa e poderia ter água em estado líquido que facilite a existência de vida.
Se o planeta é rochoso, e os cientistas têm razões para acreditar que sim, poderia, então, estar em meio a um cenário terrível, já que o calor de sua estrela moribunda estaria evaporando os lagos e oceanos. “Se Kepler 542b é realmente um planeta rochoso, sua localização em relação a sua estrela poderia significar que está passando pela pior fase de efeito estufa de sua história climática”, declarou o astrônomo Doug Caldwell, representante na missão Kepler da instituição Pesquisa de Inteligência Extraterreste (Seti), cuja meta é buscar formas de vida fora da Terra.
“A crescente energia de seu sol envelhecido poderia estar aquecendo a superfície e evaporando qualquer oceano que exista. O vapor d’água poderia estar se perdendo do planeta para sempre”, acrescentou. Em conclusão, “Kepler 452b poderia estar experimentando agora o que sofrerá a Terra daqui a um bilhão de anos, à medida que o Sol envelheça e se torne mais brilhante”.
Fonte: Jornal O Povo
quarta-feira, 4 de março de 2015
VOCÊ TEM QUE SABER...
1. ASTRONOMIA
BURACO NEGRO INTRIGA CIENTISTAS
Astrônomos anunciaram, nesta semana, a descoberta de um “descomunal” buraco negro, muito antigo, que desafia as teorias atuais sobre como estes objetos astronômicos se desenvolveram nos primórdios do universo. Um buraco negro é um objeto astronômico invisível, com gravidade tão forte que nenhuma partícula, nem mesmo a luz, consegue escapar de sua força de atração. A massa deste buraco negro, situado no centro de um quasar (objeto ultraluminoso), é 12 bilhões de vezes maior que a do sol, segundo astrônomos na revista britânica Nature. Formou-se há 900 milhões de anos, depois do Big Bang, que deu origem ao universo há 13,7 bilhões de anos. “A formação de um buraco negro é tão grande, tão rápido, é difícil de interpretar com as teorias atuais”, disse em comunicado um dos autores do estudo, o pesquisador da Universidade Nacional da Austrália, Fuyan Bian. (AFP)
2. SUSTENTABILIDADE
TORRE EIFFEL GANHA GERADORES
A empresa Sete, encarregada da exploração da Torre Eiffel, instalou dois aerogeradores no simbólico monumento parisiense, que ilustram compromisso em prol de um desenvolvimento sustentável. Os aerogeradores, de sete metros de altura por três de largura, foram instalados no segundo piso, a 127 metros do chão, e têm uma capacidade de produção de 10.000 kwh anuais, isto é, o consumo energético da loja do primeiro andar. Embora seja uma medida "bastante simbólica", ilustra "o compromisso da Torre no campo do desenvolvimento sustentável", afirmou a companhia. Em 2014, a torre recebeu mais de sete milhões de visitantes. O consumo elétrico anual (6,7 GWh) do monumento equivale ao de uma cidade com 3.000 habitantes.
3. PESQUISA
HORMÔNIO DO AMOR PARA CURAR EMBRIAGUEZ?
O hormônio do amor, a oxitocina, pode ter um efeito inesperado: quando o aplicaram em ratos de laboratório em estado de embriaguez, os cientistas perceberam que a substância ajudou os roedores a agir como se estivessem sóbrios. Quando os autores desta experiência, cujos resultados foram divulgados nesta semana, injetaram oxitocina no cérebro de roedores embriagados, os animais não demonstraram a falta de coordenação normalmente provocada pela ingestão excessiva de álcool. “Os ratos que ingeriram álcool e, em seguida, oxitocina, passaram sem problemas no teste de sobriedade equivalente para ratos, enquanto os outros em estado de embriaguez, mas que não tomaram o hormônio, ficaram totalmente embriagados”, explicou Michael Bowen, pesquisador do departamento de Psicologia da Universidade de Sidney. Pesquisadores querem agora testar este efeito surpreendente do hormônio do amor em seres humanos. (AFP)
Fonte: Jornal O Povo
Quando os computadores começarão a pensar?
| O matemático Alan Turing é interpretado pelo ator Benedict Cumberbatch no filme O Jogo da Imitação |
Vários filmes em cartaz nos cinemas contam histórias de cientistas famosos. Um deles, é o matemático inglês Alan Turing, ateu, homossexual e visionário da computação, que é personagem de O Jogo da Imitação, onde a ênfase é dada ao seu trabalho bem-sucedido de decifrar códigos secretos dos nazistas na Segunda Guerra Mundial. O filme ganhou o Oscar de Melhor Roteiro, mas, não vou falar sobre ele. Vou tratar um pouco das ideias mais impactantes de Turing sobre a possibilidade de se construir uma máquina inteligente, com capacidades intelectuais consideradas exclusivas dos humanos.
Em resumo, Turing queria saber se poderia existir uma máquina capaz de coisas como raciocinar, jogar xadrez, demonstrar teoremas matemáticos ou escrever poemas de boa qualidade. Após muita elucubração, ele concebeu a chamada “máquina universal” e demonstrou que ela poderia desempenhar todas essas proezas, além de ser capaz de se autor reproduzir usando apenas um código interno, mais ou menos como o DNA faz com a gente. É claro que essa “máquina universal de Turing” não existia naquela época, a não ser na cabeça do próprio Turing. E, não existe até hoje, mas o que importa mesmo é explorar teoricamente se ela é permitida pelas leis naturais. Em sua essência, a máquina concebida por Turing é bastante simples e serviu de ponto de partida para a concepção dos computadores atuais. Como estes, seria apenas um sistema físico que passa continuamente de um estado para outro, seguindo regras básicas contidas em um código binário. Os únicos obstáculos para se construir essa máquina seriam técnicos e financeiros. Depois da guerra, Turing chegou a tentar financiamento para construir um protótipo da máquina, mas, como mostra o filme, o moralismo repugnante das autoridades inglesas preferiu obrigá-lo a um tratamento hormonal que o levou, finalmente, ao suicídio.
Tendo demonstrado que uma máquina seria capaz de várias capacidades semelhantes às dos humanos, Turing passou a examinar que tipo de limitações ela poderia ter. Concluiu que sua máquina estaria restrita aos vínculos impostos pelo alemão Kurt Gödel, que demonstrara a impossibilidade de qualquer sistema lógico ser completo. Em outras palavras, segundo Gödel, qualquer sistema matemático teria proposições verdadeiras que não poderiam ser demonstradas dentro do próprio sistema. Turing verificou que essa restrição também valia para sua máquina, o que equivalia a dizer que a matemática nunca poderá ser completamente mecanizada.
Acontece, como notou o inglês, que essas restrições também valem para as máquinas que temos dentro de nossos crânios. Pessoas, assim como as máquinas, nunca serão totalmente capazes de prever e modificar seus comportamentos. Aparentemente, o famoso “livre-arbítrio” tem limitações. É claro que essas limitações não nos impedem, nem às máquinas, de fazer raciocínios complexos e de tomar decisões sobre o que devemos fazer.
Os computadores modernos ainda não apresentam todas as potencialidades teóricas de uma máquina universal de Turing, mas, parecem estar cada vez mais próximos disso. O cientista americano Ray Kurzweil, engenheiro do Google, chamou de “singularidade” o dia em que ficar evidente que as máquinas começarão a pensar. E escreveu um livro intitulado A singularidade está próxima. Vamos ver.
O Jogo da Imitação
Afinal, haverá algum dia uma máquina capaz de pensar? Alan Turing não gostava desse tipo de pergunta por ter uma carga emotiva muito forte e depender da definição do que é pensar. Em 1950, ele escreveu um artigo onde propôs uma forma mais segura de decidir a questão, envolvendo um teste que ele chamou de “Jogo da Imitação”, hoje mais conhecido como “Teste de Turing”. Vejamos uma versão moderna do Teste de Turing.
O arranjo do teste coloca de um lado um humano e um computador, separados por uma parede de outro humano, o interrogador. A única forma de comunicação entre os três é por mensagem de texto digitado. O objetivo do jogo é levar o interrogador a descobrir, fazendo perguntas e recebendo respostas, quem é quem do outro lado da parede. O computador é programado para levar o interrogador a pensar que está conversando com um humano. Portanto, não adianta o interrogador perguntar quem é humano, pois ambos responderão a mesma coisa.
O teste acaba quando o interrogador achar que sabe quem é humano. Se, depois de vários desses testes, o computador tiver sido confundido como sendo humano por um número igual ou maior de vezes que o contrário, conclui-se que esse computador é capaz de agir como um humano. Isso não quer dizer, explicitamente, que o computador é capaz de pensar. Significa apenas que ele é capaz de convencer que pensa.
Os proponentes da chamada versão forte da Inteligência Artificial consideram que um computador que consiga passar consistentemente pelo Teste de Turing é realmente capaz de pensar. Muita gente não concorda. O filósofo John Searle, por exemplo, sustenta que apenas organismos biológicos com cérebros semelhantes aos nossos seriam capazes de pensar de forma consciente. Para justificar esse ponto de vista, ele também imaginou um teste chamado de “Sala Chinesa”. Esse é o tipo de debate que costuma ficar acalorado entre os entusiastas da Inteligência Artificial e os céticos. Mas, não tenho espaço aqui para me estender sobre isso. Fica para outra ocasião, se alguém tiver interesse em voltar a esse assunto.
Fonte: O Povo / Aqui Tem Ciência
terça-feira, 3 de março de 2015
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
"Tripletos", "quartetos", "quintetos" e "sextetos" do universo
Hoje, com o desenvolvimento da ciência após a renascença e o surgimento de novas tecnologias como a impressionante óptica adaptativa, utilizada nos instrumentos terrestres, e os telescópios espaciais, podemos ver e estudar objetos astronômicos e estruturas do universo que até bem pouco tempo eram inimagináveis!
No artigo de hoje, vamos contemplar alguns desses impressionantes objetos do universo: Os “tripletos”, “quartetos”, “quintetos” e “sextetos”.
O TRIPLETO DE LEÃO
Trata-se de um belíssimo grupo de três galáxias, localizado na constelação do Leão. As três galáxias interagem gravitacionalmente e estão a cerca de 35 milhões de anos-luz da Terra.
A imagem foi obtida pelo poderoso Survey Telescope (VST) e sua câmera de grande campo OmegaCAM do ESO (Observatório Europeu do Sul) instalado no monte Paranal no Chile. Os grandes telescópios já estudavam esses objetos individualmente, mas, graças ao grande campo do VST, as três galáxias podem ser observadas em uma única imagem.
A galáxia embaixo à esquerda (NGC 3628) apresenta-se de perfil e pode-se notar grandes regiões de poeira ao longo do seu plano. As galáxias M65 (objeto Messier 65), acima à direita, e a M66 (objeto Messier 66), abaixo à esquerda, se apresentam inclinadas, o que possibilita a observação dos seus braços em espiral. A imagem também apresenta objetos mais tênues no plano de fundo; que são galáxias muito mais distantes e outros são estrelas da nossa própria galáxia.
O QUARTETO DE ROBERT
Esse é um grupo de quatro galáxias , localizado na constelação de Phoenix, e se encontra a cerca de 160 milhões de anos-luz de nós. Isso significa que a luz que recebemos hoje saiu de lá a cerca de 160 milhões de anos atrás. As quatro galáxias são diferentes e estão num processo de colisão, vão se fundir e gerar uma outra galáxia.
As galáxias membro do grupo são: NGC 87, NGC 88, NGC 89 e NGC 92 (NGC em português significa: Novo Catálogo Geral). Todas foram descobertas pelo astrônomo inglês John Herschel na década de 1830. O quarteto de Robert é considerado como um dos mais interessantes grupos compactos de galáxias, em especial pela possibilidade de se estudar a interação entre galáxias e a formação de novas estrelas. A galáxia espiral (NGC 92), acima e à esquerda na imagem, é o maior e mais brilhante membro do grupo.
O QUINTETO DE STEPHAN
Esse impressionante grupo de cinco galáxias visuais foi descoberto pelo astrônomo francês Édouard Stephan em 1877. Das cinco galáxias, quatro delas são consideradas o primeiro grupo compacto descoberto e um dos mais estudados. O membro mais brilhante é a NGC 7320 (acima à esquerda) e possui uma gigantesca região de formação de novas estrelas. Se encontra a cerca de 39 milhões de anos-luz da Terra, ao contrário das outras quatro galáxias que estão entre 210 e 340 milhões de anos-luz de nós. O grupo está localizado na constelação de Pegasus.
O SEXTETO DE SEYFERT
Esse fantástico grupo de seis galáxias se encontra a cerca de 190 milhões de anos-luz de nós, localizado na constelação da Cabeça da Serpente. Foi descoberto por Carl Keenan Seyfert do Observatório Barnard, da Universidade Vanderbil. Os primeiros registros fotográficos foram publicados em 1951 e foi considerado o primeiro grupo compacto descoberto até então. As galáxias interagem gravitacionalmente entre si e estimas-se que essa ação entre elas vai durar centenas de milhões de anos, quando as galáxias vão se fundir formando uma única galáxia elíptica gigante.
Fonte: O POVO
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
Papa Francisco diz concordar com ‘Big Bang’
Cidade do Vaticano. O papa Francisco afirmou que as teorias científicas da Evolução e do Big Bang estão corretas e que não são incompatíveis com a existência de um criador. “Quando lemos sobre a criação no Gênesis, corremos o risco de imaginar que Deus era um mágico com uma varinha capaz de fazer tudo. Mas não é isso”, disse.
De acordo com o pontífice, a criação do mundo “não é obra do caos, mas deriva de um princípio supremo que cria por amor”.
Segundo o papa, a teoria do Big Bang, que explica a origem do mundo, não se opõe à ideia de um criador divino - justo ao contrário, exige um criador.
A Evolução, diz Francisco, também requer que antes os seres tenham sido criados. “O Big Bang não contradiz a intervenção criadora, mas a exige”, afirmou o papa ontem para os acadêmicos que integram a Academia Pontifícia de Ciências.
“Deus criou os seres humanos e permitiu que se desenvolvessem de acordo com leis internas que deu a cada um para que alcancem sua realização”, acrescentou o pontífice.
Segundo Francisco, o homem foi criado com uma característica especial – a liberdade – e recebe a incumbência de proteger a criação, mas quando a liberdade se torna autonomia, destrói a criação e homem assume o lugar do criador.
“Ao cientista, portanto, sobretudo ao cientista cristão, corresponde a atitude de interrogar-se sobre o futuro da humanidade e da Terra; de construir um mundo humano para todas as pessoas e não para um grupo ou uma classe de privilegiados”, concluiu o pontífice.
Antes de Francisco, o papa Pio XII já havia recebido bem as ideias do evolucionismo e do Big Bang. O papa João Paulo II chegou a dizer, em 1996, que a evolução era um “fato comprovado”.
Já o papa Bento XVI defendia a tese de que a seleção natural por si só não explicaria a complexidade do mundo e, assim, haveria um “design inteligente” implícito na evolução. Segundo ele, a Evolução não seria então um processo do acaso.
O papa Francisco inaugurou um busto do seu antecessor na sede da Academia Pontifícia de Ciências, no Vaticano, e disse algumas palavras em homenagem a Bento XVI. “Ninguém pode dizer que o estudo e a ciência fizeram com que ele e seu amor por Deus e pelo próximo diminuíssem. Ao contrário, o conhecimento, a sabedoria e a oração ampliaram seu coração e seu espírito”, disse.
Movimentos populares
Mais de 100 líderes de grupos sociais e leigos, 30 bispos engajados com a realidade dos movimentos sociais em seus países e 50 agentes pastorais, além de alguns membros da Cúria Romana, participam nesta semana do Encontro Mundial dos Movimentos Populares, que ocorre em Roma até hoje.
Fonte: Diário do Nordeste
terça-feira, 21 de outubro de 2014
Fotógrafo ‘caça’ clarões de tempestades
Durante o verão, Thomas Ashcraft recebe diariamente, às 19h, um boletim climático personalizado. Ele busca orientações sobre onde procurar tempestades robustas, do tipo que costuma se formar na parte oeste da região das Planícies Altas nessa época do ano.
Munido de câmeras sensíveis e radiotelescópios, Ashcraft caça “sprites” —majestosas emanações de luz que lampejam por um instante acima das nuvens carregadas (as cúmulos-nimbos), aparecendo na forma de águas-vivas, cenouras, anjos e brócolis. Não há duas delas que sejam iguais entre si.
As “sprites” são imensas: têm dezenas de quilômetros de largura e 50 quilômetros de alto a baixo. Mas, como aparecem e somem numa fração de segundo, a olho nu são percebidas somente como lampejos. Não se sabe como, ou mesmo se, elas afetam a física e a química da atmosfera.
Ashcraft pode obter apenas duas imagens de “sprites” numa noite ou mais de 300. Parte de um crescente grupo de cidadãos envolvidos em áreas que vão da astronomia à zoologia, ele envia suas melhores imagens para Steven Cummer, professor de engenharia elétrica e da computação na Universidade Duke, em Durham, na Carolina do Norte. Cummer lidera um projeto chamado Phocal, cujo objetivo é capturar imagens de “sprites” a partir de múltiplos lugares, a fim de triangular sua posição em relação ao relâmpago que as cria.
As “sprites” só passaram a ser documentadas a partir de 1989, quando um cientista de Minnesota acidentalmente captou uma delas em vídeo. Ninguém sabia o que fazer com elas. “Era como se a biologia tivesse descoberto uma nova parte do corpo”, disse Walter Lyons, ex-presidente da Sociedade Meteorológica Americana. Seu site, chamado WeatherVideoHD.tv, monitora “sprites” e outros eventos meteorológicos incomuns. As pessoas se referem às “sprites” como “relâmpagos-foguetes”, “relâmpagos para cima”, “relâmpagos das nuvens para a estratosfera” e até mesmo de “relâmpagos das nuvens para o espaço”, segundo ele. Esses estranhos raios receberam o nome de “sprites” (espíritos, ou entes fantásticos), tendo como inspiração os misteriosos personagens chamados dessa maneira em “A Tempestade”, de Shakespeare.
As “sprites” se formam na mesosfera, porção pouco estudada da atmosfera, situada 50 a 80 quilômetros acima da superfície terrestre —muito alta para o voo de aviões, mas muito baixa para que satélites aí orbitem. Sabia-se que estavam relacionadas a tempestades com trovoadas e relâmpagos, mas não mais do que isso, segundo Lyons.
Nem todas as tempestades com trovoadas produzem “sprites”, mas aquelas que o fazem apresentam um tipo de relâmpago com carga elétrica positiva —a qual, por razões ainda não compreendidas, tende a ser mais poderosa do que a dos raios carregados negativamente.
Quando um raio positivo lança uma grande descarga elétrica no solo, o campo elétrico na rarefeita atmosfera mais acima se expande simultaneamente e, em milésimos de segundo, se decompõe para formar uma imensa faísca —uma “sprite”— a cerca de 70 quilômetros de altura.
Então, a “sprite” gera bolas de ionização do tamanho de uma casa, que se aceleram para baixo, depois para cima, a 10% da velocidade da luz, estimulando as moléculas de nitrogênio que brilham em azul ou vermelho, dependendo da pressão em diferentes altitudes.
Ashcraft, 63, artista e caçador de “sprites”, trabalha em um barracão de madeira. Seis câmeras estão fixadas no telhado, algumas delas modificadas para capturar a luz das partes do espectro em infravermelho ou próximas do infravermelho, onde as “sprites” são mais visíveis. Graças à altitude de 2.100 metros e à atmosfera extremamente clara nesse local, suas câmeras podem enxergar a quase mil quilômetros de distância, em todas as direções, nos céus de Wyoming, Kansas, Nebraska, Oklahoma, Arizona, Utah, norte do México e, claro, todo Novo México e Colorado.
Quando Ashcraft recebe a informação de que tempestades estão se formando, ele checa imagens de radar no site Weather Underground para localizar os temporais mais pesados, sobe até o telhado usando uma escada de alumínio, verifica a bússola em seu smartphone e aponta as câmeras na direção da tempestade. “Desenvolvi um jeito de conseguir a altitude certa”, disse ele.
Se as câmeras estiverem adequadamente alinhadas à tempestade, ele pode captar um coro dançante de lampejos luminosos. “Estou me esbaldando com as ‘sprites’”, afirmou.
Fonte: Gazeta do Povo
Ashcraft pode obter apenas duas imagens de “sprites” numa noite ou mais de 300. Parte de um crescente grupo de cidadãos envolvidos em áreas que vão da astronomia à zoologia, ele envia suas melhores imagens para Steven Cummer, professor de engenharia elétrica e da computação na Universidade Duke, em Durham, na Carolina do Norte. Cummer lidera um projeto chamado Phocal, cujo objetivo é capturar imagens de “sprites” a partir de múltiplos lugares, a fim de triangular sua posição em relação ao relâmpago que as cria.
As “sprites” só passaram a ser documentadas a partir de 1989, quando um cientista de Minnesota acidentalmente captou uma delas em vídeo. Ninguém sabia o que fazer com elas. “Era como se a biologia tivesse descoberto uma nova parte do corpo”, disse Walter Lyons, ex-presidente da Sociedade Meteorológica Americana. Seu site, chamado WeatherVideoHD.tv, monitora “sprites” e outros eventos meteorológicos incomuns. As pessoas se referem às “sprites” como “relâmpagos-foguetes”, “relâmpagos para cima”, “relâmpagos das nuvens para a estratosfera” e até mesmo de “relâmpagos das nuvens para o espaço”, segundo ele. Esses estranhos raios receberam o nome de “sprites” (espíritos, ou entes fantásticos), tendo como inspiração os misteriosos personagens chamados dessa maneira em “A Tempestade”, de Shakespeare.
As “sprites” se formam na mesosfera, porção pouco estudada da atmosfera, situada 50 a 80 quilômetros acima da superfície terrestre —muito alta para o voo de aviões, mas muito baixa para que satélites aí orbitem. Sabia-se que estavam relacionadas a tempestades com trovoadas e relâmpagos, mas não mais do que isso, segundo Lyons.
Nem todas as tempestades com trovoadas produzem “sprites”, mas aquelas que o fazem apresentam um tipo de relâmpago com carga elétrica positiva —a qual, por razões ainda não compreendidas, tende a ser mais poderosa do que a dos raios carregados negativamente.
Quando um raio positivo lança uma grande descarga elétrica no solo, o campo elétrico na rarefeita atmosfera mais acima se expande simultaneamente e, em milésimos de segundo, se decompõe para formar uma imensa faísca —uma “sprite”— a cerca de 70 quilômetros de altura.
Então, a “sprite” gera bolas de ionização do tamanho de uma casa, que se aceleram para baixo, depois para cima, a 10% da velocidade da luz, estimulando as moléculas de nitrogênio que brilham em azul ou vermelho, dependendo da pressão em diferentes altitudes.
Ashcraft, 63, artista e caçador de “sprites”, trabalha em um barracão de madeira. Seis câmeras estão fixadas no telhado, algumas delas modificadas para capturar a luz das partes do espectro em infravermelho ou próximas do infravermelho, onde as “sprites” são mais visíveis. Graças à altitude de 2.100 metros e à atmosfera extremamente clara nesse local, suas câmeras podem enxergar a quase mil quilômetros de distância, em todas as direções, nos céus de Wyoming, Kansas, Nebraska, Oklahoma, Arizona, Utah, norte do México e, claro, todo Novo México e Colorado.
Quando Ashcraft recebe a informação de que tempestades estão se formando, ele checa imagens de radar no site Weather Underground para localizar os temporais mais pesados, sobe até o telhado usando uma escada de alumínio, verifica a bússola em seu smartphone e aponta as câmeras na direção da tempestade. “Desenvolvi um jeito de conseguir a altitude certa”, disse ele.
Se as câmeras estiverem adequadamente alinhadas à tempestade, ele pode captar um coro dançante de lampejos luminosos. “Estou me esbaldando com as ‘sprites’”, afirmou.
Fonte: Gazeta do Povo
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
Vento e sol mudam panorama energético
Poucos países desenvolvidos se empenham mais que a Alemanha para descobrir soluções para o aquecimento global. Atualmente, símbolos altaneiros desse empenho estão surgindo no meio do mar do Norte.
Situadas a 95 quilômetros do continente, turbinas eólicas da altura de edifícios de 60 andares têm preço unitário de US$ 30 milhões (R$ 70,5 milhões).
Até o final do ano, um grande número de novas turbinas enviará energia elétrica de baixa emissão de poluentes para cidades alemãs a centenas de quilômetros de distância, no sul. As turbinas integram a ambiciosa tentativa da Alemanha de refazer seu sistema de energia elétrica, um projeto que vem gerando resultados surpreendentes: em breve, 30% da energia elétrica do país vêm de fontes renováveis.
Muitos países menores superam a marca, mas a Alemanha é a maior potência a atingir esse nível, que é mais que o dobro da porcentagem dos EUA.
A aposta alemã em energia renovável também tem implicações muito além de suas fronteiras. Ao criar uma enorme demanda por turbinas eólicas e painéis solares, o país atraiu fabricantes chineses para o mercado, o que reduz os custos com uma velocidade impensável há poucos anos.
Executivos de companhias de eletricidade em todo o mundo estão vendo tecnologias antes consideradas irrelevantes começarem a ameaçar seus planos de negócios há muito consolidados.
Conflitos estão surgindo nos EUA em relação às futuras regras da energia renovável. Muitos países pobres, que antes pretendiam construir usinas elétricas a carvão para suprir suas populações, estão analisando se é possível saltar a etapa dos combustíveis fósseis e partir direto para a construção de sistemas energéticos limpos.
Já existe uma avaliação clara das consequências disso na Alemanha: as mudanças devastaram suas companhias públicas de eletricidade, cujos lucros com energia despencaram.
Um padrão semelhante pode ser observado em outros lugares. Alguns estados americanos, impacientes com a morosidade em Washington, estabeleceram suas próprias metas para obter 20% ou 30% de energia renovável até 2020.
O plano de transição energética na Alemanha se chama "energiewende". O país é apontado mundialmente como um exemplo de que é possível transformar o sistema global de energia.
Especialistas dizem que o setor de energia elétrica está entrando em um período de turbulência sem precedentes em 130 anos, um abalo comparável ao sofrido nos últimos anos por companhias aéreas, a indústria fonográfica e a telefonia.
A potencial contrapartida é formidável: um sistema de energia elétrica mais ecológico, com menos poluição. Não se sabe ainda se o sistema pode ser alterado com rapidez suficiente para reverter os perigosos níveis atuais do aquecimento global.
"Tenho certeza de que o vento e o sol serão as principais fontes de energia, não só na Alemanha, mas no mundo inteiro", afirmou Patrick Graichen, que dirige o centro Agora Energiewende. "A questão é como assegurar que essa transição se transforme em uma história de sucesso."
A Alemanha gastou mais de US$ 140 bilhões (R$ 329 bilhões) em seu programa, oferecendo vantagens para os que quisessem instalar painéis solares, turbinas eólicas, usinas de biogás e outras fontes renováveis de energia.
O plano é financiado por meio de sobretaxas nas contas de energia elétrica, as quais geralmente são de cerca de US$ 280 (R$ 658) por ano para uma família alemã típica. Parte disso tem sido compensado com fontes renováveis, que reduziram os preços da energia elétrica no atacado.
O programa gerou imensas economias de escala, com a venda global de painéis solares dobrando a cada 21 meses ao longo da década passada, e os preços tendo queda de cerca de 20% a cada período desses.
"Os alemães não estão comprando energia, e sim quedas de preço", disse Hal Harvey, que dirige um centro de pesquisa sobre energia em San Francisco (EUA).
Essas oscilações fizeram alguns fabricantes de painéis americanos abandonarem o ramo, queixando-se dos subsídios do governo chinês para seus fabricantes, que se apoderaram de grandes fatias do mercado.
Todavia, o declínio também abriu uma oportunidade para proprietários de residências e empresas americanas como a Lennar, a segunda maior construtora residencial do país. Em cem loteamentos na Califórnia, quem compra uma casa nova ganha painéis solares no telhado.
A Lennar continua sendo proprietária dos painéis e faz contratos de 20 anos para vender aos donos das casas a energia gerada em seus telhados, dando um desconto de 20% em relação aos preços da companhia de eletricidade.
"A ideia é muito simples. Basta dizer ao cliente que, com isso, ele fará uma grande economia", disse David J. Kaiserman, da Lennar.
Após quedas drásticas nos últimos anos, o preço da energia agora é competitivo em relação ao custo de usinas elétricas a carvão em algumas regiões dos EUA.
A queda no custo da energia renovável é um problema em potencial para empresas elétricas. Elas lucram muito nas horas do dia com maior demanda de energia, impondo preços altos. A energia solar pode ser particularmente prejudicial para essas empresas, pois reduz os preços no atacado durante os períodos de pico.
Embora esteja se expandindo rapidamente, a energia solar ainda equivale a menos de 1% da energia gerada nos EUA.
Algumas companhias públicas de eletricidade começaram a atacar as diretrizes que estimulam os painéis, ao passo que outras entram no mercado de energia solar.
Empresas novatas com rápido crescimento oferecem aluguel de painéis solares para proprietários de residências, com financiamento bancário. O epicentro desse movimento é a Califórnia, cuja meta é contar com 33% de energia renovável até 2020.
Na Alemanha, onde os painéis solares suprem 7% do consumo de energia e as turbinas eólicas, cerca de 10%, os preços da energia no atacado despencaram nas horas mais rentáveis do dia.
"Demoramos para entrar no mercado de energias renováveis e agora talvez seja tarde demais", disse nesta primavera Peter Terium, diretor-executivo da megacompanhia pública RWE, quando anunciou um prejuízo anual de US$ 3,8 bilhões (R$ 8,9 bilhões).
As grandes empresas de eletricidade alemãs têm sido obrigadas a modular rapidamente a produção em suas usinas elétricas convencionais para compensar a energia renovável intermitente.
Como as usinas não são necessariamente lucrativas quando operadas dessa maneira, essas companhias ameaçam fechar algumas unidades que, segundo analistas, são necessárias como reserva emergencial para o país.
Outro componente que complica a situação é a determinação do governo a acabar com as usinas nucleares alemãs em dez anos.
À medida que o plano progride e elimina uma fonte de energia com baixa emissão de poluentes, a redução dos gases de efeito estufa na Alemanha chegou a um impasse.
Os problemas cresceram com tamanha rapidez que o governo tenta desacelerar a transição, o que não é bem aceita pela opinião pública.
Há poucos dias, enquanto participava de uma passeata com milhares de manifestantes em uma rua de Berlim, Reinhard Christiansen, diretor de uma pequena empresa especializada em energia renovável na cidade de Ellhöft, disse: "Nosso temor é que o governo esteja tentando frear a transição energética".
Especialistas dizem que as novas regras do mercado poderiam manter os custos em um patamar razoável. Algumas inovações recomendadas por eles já foram adotadas em parte.
Desenvolvidas nos EUA e sob estudo na Alemanha, elas incluem pagamentos regulares para persuadir companhias públicas de eletricidade a manter de reserva algumas usinas que usam combustíveis fósseis.
Porém, é provável que as maiores inovações se concentrem nos hábitos de consumo de energia.
A Apple e o Google, por exemplo, investem bilhões em negócios que aproveitem as novas oportunidades. Isso inclui ajudar proprietários de casas a administrar seu consumo de energia.
Os preços da energia elétrica, em vez de calculados por mês, poderiam variar em tempo real. Altas nos preços estimulariam a economizar. Inversamente, chips instalados em aparelhos como aquecedores de água poderiam ligá-los quando houvesse abundância de energia e preços baixos.
Para os alemães, a imprevisibilidade da energia renovável em terra firme explica o interesse pelo vento em alto-mar. As brisas constantes no mar do Norte e no mar Báltico garantem que as turbinas por lá produzam bem mais energia do que turbinas em terra.
É por isso que três companhias de eletricidade virtualmente passaram a controlar a ilha de Heligoland. Ela se tornou a base de operações para as fazendas eólicas enormes que estão instalando.
Por ora, as fazendas oneram em bilhões os custos para consumidores que já arcam com painéis solares, turbinas eólicas no continente, usinas de biogás e na transição para energia renovável.
Pesquisas, porém, indicam que os alemães estão dispostos a carregar esse fardo. "A Alemanha é um país rico", disse Markus Steigenberger, analista do Agora. "É uma dádiva para o mundo."
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
Sol e vento alteram a equação energética

Poucos países desenvolvidos se empenham mais que a Alemanha para descobrir soluções para o aquecimento global. Atualmente, símbolos altaneiros desse empenho estão surgindo no meio do mar do Norte.
Situadas a 95 quilômetros do continente, turbinas eólicas da altura de edifícios de 60 andares têm preço unitário de US$ 30 milhões (R$ 70,5 milhões).
Até o final do ano, um grande número de novas turbinas enviará energia elétrica de baixa emissão de poluentes para cidades alemãs a centenas de quilômetros de distância, no sul.As turbinas integram a ambiciosa tentativa da Alemanha de refazer seu sistema de energia elétrica, um projeto que vem gerando resultados surpreendentes: em breve, 30% da energia elétrica do país vêm de fontes renováveis.
Muitos países menores superam a marca, mas a Alemanha é a maior potência a atingir esse nível, que é mais que o dobro da porcentagem dos EUA.
A aposta alemã em energia renovável também tem implicações muito além de suas fronteiras. Ao criar uma enorme demanda por turbinas eólicas e painéis solares, o país atraiu fabricantes chineses para o mercado, o que reduz os custos com uma velocidade impensável há poucos anos.
Executivos de companhias de eletricidade em todo o mundo estão vendo tecnologias antes consideradas irrelevantes começarem a ameaçar seus planos de negócios há muito consolidados.
Conflitos estão surgindo nos EUA em relação às futuras regras da energia renovável.
Muitos países pobres, que antes pretendiam construir usinas elétricas a carvão para suprir suas populações, estão analisando se é possível saltar a etapa dos combustíveis fósseis e partir direto para a construção de sistemas energéticos limpos.
Já existe uma avaliação clara das consequências disso na Alemanha: as mudanças devastaram suas companhias públicas de eletricidade, cujos lucros com energia despencaram.
Um padrão semelhante pode ser observado em outros lugares. Alguns estados americanos, impacientes com a morosidade em Washington, estabeleceram suas próprias metas para obter 20% ou 30% de energia renovável até 2020.
O plano de transição energética na Alemanha se chama "energiewende". O país é apontado mundialmente como um exemplo de que é possível transformar o sistema global de energia.
Especialistas dizem que o setor de energia elétrica está entrando em um período de turbulência sem precedentes em 130 anos, um abalo comparável ao sofrido nos últimos anos por companhias aéreas, a indústria fonográfica e a telefonia.
A potencial contrapartida é formidável: um sistema de energia elétrica mais ecológico, com menos poluição. Não se sabe ainda se o sistema pode ser alterado com rapidez suficiente para reverter os perigosos níveis atuais do aquecimento global.
"Tenho certeza de que o vento e o sol serão as principais fontes de energia, não só na Alemanha, mas no mundo inteiro", afirmou Patrick Graichen, que dirige o centro Agora Energiewende. "A questão é como assegurar que essa transição se transforme em uma história de sucesso."
A Alemanha gastou mais de US$ 140 bilhões (R$ 329 bilhões) em seu programa, oferecendo vantagens para os que quisessem instalar painéis solares, turbinas eólicas, usinas de biogás e outras fontes renováveis de energia.
O plano é financiado por meio de sobretaxas nas contas de energia elétrica, as quais geralmente são de cerca de US$ 280 (R$ 658) por ano para uma família alemã típica. Parte disso tem sido compensado com fontes renováveis, que reduziram os preços da energia elétrica no atacado.
O programa gerou imensas economias de escala, com a venda global de painéis solares dobrando a cada 21 meses ao longo da década passada, e os preços tendo queda de cerca de 20% a cada período desses.
"Os alemães não estão comprando energia, e sim quedas de preço", disse Hal Harvey, que dirige um centro de pesquisa sobre energia em San Francisco (EUA).
Essas oscilações fizeram alguns fabricantes de painéis americanos abandonarem o ramo, queixando-se dos subsídios do governo chinês para seus fabricantes, que se apoderaram de grandes fatias do mercado.
Todavia, o declínio também abriu uma oportunidade para proprietários de residências e empresas americanas como a Lennar, a segunda maior construtora residencial do país. Em cem loteamentos na Califórnia, quem compra uma casa nova ganha painéis solares no telhado.
A Lennar continua sendo proprietária dos painéis e faz contratos de 20 anos para vender aos donos das casas a energia gerada em seus telhados, dando um desconto de 20% em relação aos preços da companhia de eletricidade.
"A ideia é muito simples. Basta dizer ao cliente que, com isso, ele fará uma grande economia", disse David J. Kaiserman, da Lennar.
Após quedas drásticas nos últimos anos, o preço da energia agora é competitivo em relação ao custo de usinas elétricas a carvão em algumas regiões dos EUA.
A queda no custo da energia renovável é um problema em potencial para empresas elétricas. Elas lucram muito nas horas do dia com maior demanda de energia, impondo preços altos. A energia solar pode ser particularmente prejudicial para essas empresas, pois reduz os preços no atacado durante os períodos de pico.
Embora esteja se expandindo rapidamente, a energia solar ainda equivale a menos de 1% da energia gerada nos EUA.
Algumas companhias públicas de eletricidade começaram a atacar as diretrizes que estimulam os painéis, ao passo que outras entram no mercado de energia solar.
Empresas novatas com rápido crescimento oferecem aluguel de painéis solares para proprietários de residências, com financimaneto bancário. O epicentro desse movimento é a Califórnia, cuja meta é contar com 33% de energia renovável até 2020.
Na Alemanha, onde os painéis solares suprem 7% do consumo de energia e as turbinas eólicas, cerca de 10%, os preços da energia no atacado despencaram nas horas mais rentáveis do dia.
"Demoramos para entrar no mercado de energias renováveis e agora talvez seja tarde demais", disse nesta primavera Peter Terium, diretor-executivo da megacompanhia pública RWE, quando anunciou um prejuízo anual de US$ 3,8 bilhões (R$ 8,9 bilhões).
As grandes empresas de eletricidade alemãs têm sido obrigadas a modular rapidamente a produção em suas usinas elétricas convencionais para compensar a energia renovável intermitente.
Como as usinas não são necessariamente lucrativas quando operadas dessa maneira, essas companhias ameaçam fechar algumas unidades que, segundo analistas, são necessárias como reserva emergencial para o país.
Outro componente que complica a situação é a determinação do governo a acabar com as usinas nucleares alemãs em dez anos.
À medida que o plano progride e elimina uma fonte de energia com baixa emissão de poluentes, a redução dos gases de efeito estufa na Alemanha chegou a um impasse.
Os problemas cresceram com tamanha rapidez que o governo tenta desacelerar a transição, o que não é bem aceita pela opinião pública.
Há poucos dias, enquanto participava de uma passeata com milhares de manifestantes em uma rua de Berlim, Reinhard Christiansen, diretor de uma pequena empresa especializada em energia renovável na cidade de Ellhöft, disse: "Nosso temor é que o governo esteja tentando frear a transição energética".
Especialistas dizem que as novas regras do mercado poderiam manter os custos em um patamar razoável. Algumas inovações recomendadas por eles já foram adotadas em parte.
Desenvolvidas nos EUA e sob estudo na Alemanha, elas incluem pagamentos regulares para persuadir companhias públicas de eletricidade a manter de reserva algumas usinas que usam combustíveis fósseis.
Porém, é provável que as maiores inovações se concentrem nos hábitos de consumo de energia.
A Apple e o Google, por exemplo, investem bilhões em negócios que aproveitem as novas oportunidades. Isso inclui ajudar proprietários de casas a administrar seu consumo de energia.
Os preços da energia elétrica, em vez de calculados por mês, poderiam variar em tempo real. Altas nos preços estimulariam a economizar. Inversamente, chips instalados em aparelhos como aquecedores de água poderiam ligá-los quando houvesse abundância de energia e preços baixos.
Para os alemães, a imprevisibilidade da energia renovável em terra firme explica o interesse pelo vento em alto-mar. As brisas constantes no mar do Norte e no mar Báltico garantem que as turbinas por lá produzam bem mais energia do que turbinas em terra.
É por isso que três companhias de eletricidade virtualmente passaram a controlar a ilha de Heligoland. Ela se tornou a base de operações para as fazendas eólicas enormes que estão instalando.
Por ora, as fazendas oneram em bilhões os custos para consumidores que já arcam com painéis solares, turbinas eólicas no continente, usinas de biogás e na transição para energia renovável.
Pesquisas, porém, indicam que os alemães estão dispostos a carregar esse fardo. "A Alemanha é um país rico", disse Markus Steigenberger, analista do Agora. "É uma dádiva para o mundo."
Fonte: The New York Times
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
A Idade e o Olho
O olho humano é um sistema óptico composto por duas lentes espessas (a córnea e o cristalino), um diafragma (a íris) e um anteparo (a retina). Esses elementos estão representados na figura 1, que também apresenta alguns dados relevantes sobre eles.
Dados para a figura 1
raio(mm)
|
espessura(mm)
|
índice de refração
|
meio
| |
1
|
r1 = 7,8
|
1
|
ar
| |
2
|
r2 = 6,5
|
e2 = 0,55
|
1,3771
|
córnea
|
3
|
r3 = 10,2
|
e3 = 3,05
|
1,3374
|
humor aquoso, íris
|
4
|
r4 = 6,0
|
e4 = 4,00
|
1,420
|
músculo ciliar, cristalino
|
5
|
r5 = 12,3
|
e5 = 16,60
|
1,336
|
humor vítreo, retina
|
Como as distâncias entre os elementos ópticos do olho são constantes, para se ter sobre a retina imagens nítidas de objetos observados a diferentes distâncias, devemos variar a distância focal do cristalino. Isto se dá através da sua compressão, por meio dos músculos ciliares. Assim, quando observamos um objeto infinitamente distante, como por exemplo, uma estrela, os músculos ciliares estão totalmente relaxados. E, ao contrário, quando observamos um objeto o mais próximo possível, os músculos ciliares estão em máxima tensão.
Com os dados apresentados na figura 1, vê-se que não há grande diferença entre os índices de refração do humor vítreo, do humor aquoso e do cristalino. Sendo assim, a luz que penetra no olho se refrata principalmente na córnea. O cristalino desempenha um papel de ajuste fino na focalização, mecanismo esse que chamamos de acomodação. À medida que o ser humano envelhece, o cristalino perde flexibilidade, fazendo com que os músculos ciliares tenham cada vez mais dificuldade para comprimi-lo. A perda da capacidade de acomodar com a idade chama-se presbiopia.
Chamamos de ponto próximo à distância mínima capaz de nos permitir visão nítida. Devido à perda de flexibilidade do cristalino com a idade, o ponto próximo aumenta durante a vida. A relação entre a idade e o ponto próximo está representada no gráfico da figura 2.
ACOMODAÇÃO
A convergência de uma lente é o inverso de sua distância focal. A unidade SI da convergência é a dioptria (1di = 1m-1). A acomodação pode ser determinada por meio da convergência do cristalino. Se tomarmos como referência para acomodação a convergência do cristalino não comprimido, a variação da convergência na acomodação pode ser vista no gráfico da figura 3. Por ele, vê-se que, para o olho humano, o "infinito óptico" a 6m é uma boa aproximação.
PRESBIOPIA
A presbiopia, representada por meio da relação entre a acomodação máxima e a idade, pode ser vista no gráfico da figura 4.
A presbiopia não deve ser confundida com defeito de visão. Ela ocorre em todas as pessoas. Começa a ser percebida na faixa etária dos quarenta, quando surge, por exemplo, a necessidade de se afastar um jornal para a leitura. A partir de então, o uso de lentes para visão de perto torna-se inevitável. Contudo, é importante destacar que, quem nunca tiver defeito de visão, também não terá dificuldade para ver à distância.
Fonte: FOLHEtim - O Jornalzinho da galera da Física (MAIO/1999)
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