terça-feira, 29 de maio de 2018

Há 99 anos...



Caros amigos leitores, hoje chamamos a sua atenção para o famoso eclipse de 1919. No próximo dia 29 de maio completam-se 99 anos que esse eclipse foi observado com o mais alto interesse científico, especialmente em duas localidades: na Ilha do Príncipe, situada no Golfo da Guiné, e em Sobral, no Ceará. O principal objetivo era comprovar a Deflexão (curvatura) do Raio Luminoso, prevista por Albert Einstein na sua Teoria da Relatividade Geral.


ARQUIVO OBSERVATÓRIO NACIONAL
ARQUIVO OBSERVATÓRIO NACIONAL

Ao longo dos séculos os eclipses foram associados a mitos e lendas por vários povos de várias civilizações, anunciavam maus presságios e, nas ocasiões de suas ocorrências, serviam para cultos religiosos e sacrifícios. Para os antigos chineses, uma lenda conta que, durante um eclipse, um dragão devorava o Sol e logo depois o regurgitava. Já para os antigos egípcios, a serpente Apófis, inimiga do deus Rá (Sol), periodicamente se colocava à frente do Sol, impedindo que sua luz atingisse a Terra.

Mesmo na antiguidade, a observação dos eclipses já tinha algum cunho científico. Sabe-se, por exemplo, que Tales de Mileto conhecia o período Saros, de ocorrência dos eclipses. No início do século XIX, as observações científicas dos eclipses tiveram especial atenção dos astrônomos e trouxeram descobertas.


ARQUIVO OBSERVATÓRIO NACIONAL 

ARQUIVO OBSERVATÓRIO NACIONAL
Acima, o telescópio refrator astrográfico usado em Sobral. Ao lado, foto do Eclipse total do Sol de 29 de maio de 1919
Acima, o telescópio refrator astrográfico usado em Sobral. Ao lado, foto do Eclipse total
do Sol de 29 de maio de 1919

Desde que Einstein divulgou suas ideias sobre a gravitação, vários cientistas, inclusive o próprio Einstein, pensaram em testar a hipótese através da observação de um eclipse solar. A teoria previa uma curvatura do raio luminoso ao passar por um campo gravitacional muito intenso, como é o caso de uma estrela como o Sol.

O que poucos brasileiros sabem é que foi realmente em Sobral que foi comprovada pela primeira vez a Teoria da Relatividade. O próprio Einstein anunciou: “Um problema concebido pelo meu cérebro, incubiu-se de resolver, o luminoso céu do Brasil”. 

A comissão inglesa que veio a Sobral, encarregada da verificação do “efeito Einstein”, foi chefiada pelo doutor C. D. Cramelin acompanhado do doutor C. Davidson. A comissão brasileira foi chefiada pelo doutor. Henrique Morize, então diretor do Observatório Nacional, que trouxe os astrônomos Domingos Costa, Lélio Gama, Teófilo Lee, Luís Rodrigues e Arílio de Matos.

No próximo dia 29 haverá um grande evento em Sobral – vai ser dado o “Ponta pé inicial” para o “O Ano da Ciência em Sobral”. Para tanto, foi criada uma comissão de pesquisadores, que ficará responsável pela organizarão de eventos mensais durante todo esse ano, culminando com o centenário do eclipse em 29 de maio de 2019. O trabalho tem apoio do prefeito Ivo Ferreira Gomes; do presidente da SBPC, Ildeu de Castro Moreira e da titular da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior, Nájila Drumont.

DERMEVAL CARNEIRO


terça-feira, 3 de abril de 2018

Prefeitura busca economizar 10% na conta de luz com energia solar nas escolas



A Prefeitura de Fortaleza deve lançar, nesta semana, edital para escolher as empresas que farão estudo de viabilidade econômico-financeira para a Parceria Público-Privada (PPP) que será responsável pela geração de energia solar (fotovoltaica) nas escolas municipais. O projeto visa reduzir o valor da conta de energia das escolas, que atualmente custa cerca de R$ 11 milhões por ano aos cofres municipais. O montante representa 10% do que o Município gasta anualmente com luz elétrica, R$ 111 milhões.
O valor do investimento necessário à instalação de placas solares nos prédios da rede de ensino será definido no edital. O projeto já chamou a atenção seis empresas. De acordo com o secretário municipal de Governo, Samuel Dias, o processo terá início com o lançamento de uma Proposta de Manifestação de Interesse (PMI), etapa que antecede a PPP.
“O edital será o mais aberto possível, até mesmo a energia eólica pode entrar. O projeto vai contemplar toda a rede municipal de ensino, que hoje conta com 558 prédios”, afirma o secretário, ressaltando que, além se ser uma contribuição para o meio ambiente, a ação vai desonerar os cofres da Prefeitura. “Nossa expectativa é que tudo seja implantado até o fim deste ano. É algo que queremos para ontem”, observa.
Para o consultor na área de energia da Federação das Indústrias do Estado do Ceará da (Fiec) e presidente da Câmara Setorial de Energias Renováveis do Ceará, Jurandir Picanço, o projeto beneficiará a Cidade. “É um programa elogiável. Espero que a Prefeitura tenha sucesso”, declara.
Segundo ele, o retorno do investimento em um projeto desta natureza é variável, pois depende das condições mais adequadas para a instalação das placas solares, como incidência de insolação e valor da tarifa paga à distribuidora de energia. “Quanto maior a tarifa da concessionária, que é a Enel, no caso do Ceará, mais rápido será o retorno. É um investimento que se paga, geralmente, de três a sete anos”, explica.
O valor dos projeto, acrescenta o especialista, também depende da dimensão do local a ser implantado. “Nas instalações de baixa tensão, que são as mais comuns, como residências, pequenas indústrias e padarias, varia de R$ 20 mil a R$ 600 mil, em função do consumo que se deseja”, exemplifica. “Para as escolas, que são de alta tensão, os custos dos projetos devem partir para R$ 300 mil por por prédio, em média”.
Iniciativa semelhante já se verifica em escolas do Paraná, Minas Gerais, São Paulo, Distrito Federal e Rio Grande do Sul, que usam energia solar para diminuir os custos com energia. Em Fortaleza, a Escola de Tempo Integral (ETI) Professor Alexandre Rodrigues de Albuquerque, inaugurada em março do ano passado no bairro Siqueira, já conta com dez placas fotovoltaicas para produção da própria energia. Estimada em 4.500 kWh/ano, a produção gera uma economia de cerca de R$ 2 mil anuais.
No cenário nacional, Picanço avalia que o Brasil está caminhando bem no setor de energias renováveis, com destaque para o estado de Minas Gerais. Ele lembra que o Governo do Ceará já criou, em janeiro de 2017, o Fundo de Incentivo à Eficiência Energética e Geração Distribuída (FIEE) para aplicação de energias renováveis nos prédios públicos.
Conforme dados do Governo Federal, o Brasil tem pouco mais de 40% de sua energia gerada por fontes renováveis. Em relação à geração de eletricidade, as hidrelétricas ainda são as fontes principais, respondendo por 64% da produção. Uma matriz pouco diversificada pode resultar em problemas de abastecimento, causando insegurança energética.
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